Você sabia que o manejo da asma na APS mudou?

Atualize sua conduta com as novas diretrizes de diagnóstico e tratamento do Ministério da Saúde.

Confirme antes de tratar!

Sempre que viável, a confirmação diagnóstica (clínica + funcional) deve ocorrer antes da introdução definitiva do Corticoide Inalatório (CI).

Por que?

O CI precoce pode mascarar a variabilidade dos sintomas e das alterações funcionais, dificultando a identificação dos critérios clínicos e funcionais típicos da doença

Dica Prática na APS:

Se o paciente estiver em crise aguda, trate imediatamente!

Em seguida, registre o diagnóstico clínico e programe os testes de função pulmonar assim que houver estabilização, antes o uso prolongado de CI.


A gravidade da asma deve ser avaliada retrospectivamente, após pelo menos 2 a 3 meses de tratamento.

Esqueça a classificação de gravidade baseada apenas nos sintomas iniciais. Segundo o GINA 2025 e o novo PCDT:

Diagnóstico Inicial > Início do Tratamento.

Acompanhamento > Mínimo de 3 meses de controle.

Avaliação > Se bem controlada com baixa dose de CI…

Conclusão > SÓ ENTÃO classificamos como “Asma Leve”.


A dificuldade de acesso à espirometria é um desafio que pode levar a sub-diagnósticos e dificuldades no monitoramento adequado da asma.

O Ministério da Saúde por meio do programa Agora Tem Especialistas, ofertará Combo de Equipamentos para UBS e entre os equipamentos contemplados pela estratégia está o espirômetro digital e outros itens fundamentais para ampliar a capacidade diagnóstica e resolutividade da Atenção Primária.

Na indisponibilidade deste teste, a avaliação do Pico de Fluxo Expiratório (PFE) – (“Peak Flow”), embora menos precisa, pode ser considerada.

Confirmação de fluxo aéreo expiratório variável:

Variação excessiva no PFE medido duas vezes ao dia, durante duas semanas.


No novo PCDT não é recomendado prescrever SABA isolado

(salbutamol/fenoterol – disponíveis no SUS, pela RENAME vigente), devido ao risco de:

  • Exacerbações graves e hospitalizações.

  • Risco elevado de morte relacionada à asma.

Além disso, é reforçado que todo paciente deve receber tratamento contendo Corticoide Inalatório (CI).


O protocolo estabelece dois caminhos para o tratamento inicial em adultos e adolescentes (≥ 12 anos):

FORM – formoterol; LABA – beta2-agonista de longa duração (disponível no SUS)

CI de baixa dose sempre que o SABA for usado, em inaladores combinados ou separados, para pacientes com baixa probabilidade de aderência ao CI diário. Considerar, preferencialmente, em combinação, ou com o CI administrado imediatamente após o SABA.


Controle vs. Gravidade

Não confunda os conceitos!

CONTROLE (O Estado Atual)

Avalia a supressão das manifestações clínicas pelo tratamento nas últimas 4 semanas.

Explora os sintomas atuais e riscos futuros (exacerbações).

GRAVIDADE (A Carga da Doença)

É uma característica intrínseca da doença. Representa a carga de medicação necessária para manter o controle.

Avaliação que deve ser feita retrospectivamente após 2 a 3 meses de tratamento.


Por que a APS é o pilar do tratamento?

Os dados epidemiológicos exigem urgência:

A asma leva ao óbito, em média, 6 brasileiros por dia.

Em 2023, as internações pelo SUS (87.707) retornaram aos níveis pré-pandemia.

Este aumento nas hospitalizações sinaliza uma falha na manutenção ambulatorial.

O vínculo longitudinal na APS e a prescrição correta do CI são as ferramentas mais eficazes para reduzir mortes evitáveis.


O sucesso do tratamento depende da técnica!

Para garantir o controle efetivo, o médico da APS deve:

  • Auxiliar na investigação e propor medidas de gestão de exposições ocupacionais a alérgenos e irritantes.

  • Realizar a revisão da técnica inalatória em TODA consulta.

  • Elaborar um PLANO DE AÇÃO POR ESCRITO e individualizado entregue ao paciente (essencial para o autogerenciamento).

  • Orientar sobre a importância do tratamento da inflamação das vias aéreas em longo prazo.


Foi publicada a Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 43 em 24/03/26, que aprova o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Asma, alinhado ao GINA 2025.

Se você ainda trata “asma leve” apenas com bombinha de alívio (SABA– beta2 agonista de curta duração), sua conduta pode colocar o paciente em risco.

As novas diretrizes trazem mudanças na classificação de gravidade e estabelecem o regime de resgate anti-inflamatório como preferencial.

Deslize para atualizar sua prática baseada em evidências e garantir a segurança dos seus pacientes!

Acesse o documento completo em:

https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/2026/pcdt-da-asma


Conteudista: Kandara Caroline Borges Souto – Médica Residente de Medicina de Família e Comunidade – FESF/SUS.

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