O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que pode envolver diferenças na comunicação e na interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamentos, interesses ou atividades.
O termo “espectro” é utilizado porque o autismo pode se manifestar de diferentes formas, com características, potencialidades e necessidades de apoio que variam entre as pessoas e ao longo da vida. Por isso, mais do que classificar a pessoa como tendo um autismo “leve” ou “grave”, o cuidado deve considerar suas características individuais e as necessidades de apoio identificadas.
No SUS, a Atenção Primária à Saúde (APS) tem papel fundamental na vigilância do desenvolvimento infantil e na identificação precoce de sinais de alterações do desenvolvimento. Durante o acompanhamento da criança, os profissionais podem observar aspectos relacionados à comunicação, interação social, linguagem e comportamento.
A Caderneta da Criança e o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) disponibilizam o M-CHAT-R/F, instrumento de rastreamento indicado para crianças entre 16 e 30 meses. É importante destacar que o instrumento auxilia na identificação de sinais de risco e não substitui a avaliação diagnóstica.
A identificação de sinais de alerta possibilita o início oportuno do acompanhamento e de intervenções de suporte, mesmo antes da confirmação diagnóstica, quando indicadas.
Informações qualificadas sobre o TEA contribuem para reduzir estigmas, favorecer a identificação precoce e fortalecer o cuidado integral, respeitando as singularidades, potencialidades e necessidades de cada pessoa.
O cuidado deve ser articulado entre os diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde, mantendo a APS como referência para o acompanhamento longitudinal, mesmo quando houver necessidade de atenção especializada.
Quando houver necessidade de avaliação ou acompanhamento especializado, a APS pode coordenar o cuidado e realizar os encaminhamentos necessários, de acordo com os fluxos estabelecidos na rede. Os serviços especializados devem atuar de forma articulada com a APS, considerando as necessidades da pessoa e de sua família.
O Núcleo Telessaúde, em parceria com o CEPRED, oferece reabilitação física com foco na intervenção precoce para crianças de até 2 anos e 6 meses, fortalecendo o desenvolvimento desde os primeiros anos de vida. O acesso ao serviço ocorre por meio da telerregulação. O profissional de saúde solicita uma teleconsultoria especializada (TeleCEPRED) e, após a avaliação do caso, a criança pode ser encaminhada para atendimento e acompanhamento multiprofissional.
Fonte:
BRASIL. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Consulta Pública – Revisão e atualização do Guia de Cuidado Integral às Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Brasília, DF, 2026.