Mês de competência: Dezembro de 2025
ID: 17513
Núcleo: Telessaúde Bahia (SESAB)
Área Temática: Apoio ao Diagnóstico
CID-10
D27 – Neoplasia benigna do ovário
CIAP-2
W – 78Gravidez
Resposta:
A presença de uma massa anexial incidental durante a gestação, como o cisto dermóide (teratoma maduro), exige avaliação criteriosa, mas não necessariamente classifica a gestante como de alto risco imediato se não houver complicações. O sistema O-RADS 3 indica um risco baixo de malignidade (aprox. 1% a 10%). A conduta deve priorizar a vigilância clínica na Atenção Primária à Saúde (APS) enquanto se articula o referenciamento conforme os protocolos de regulação local, garantindo que o acompanhamento do pré-natal de risco habitual não seja interrompido.
Fundamentação:
Fundamentação:
- Manejo Clínico e Classificação: As neoplasias de ovário mais frequentes na gestação são as de células germinativas, como o cisto dermóide. A maioria é assintomática e detectada incidentalmente no exame morfológico do primeiro trimestre. Lesões classificadas como benignas ou de baixo risco (O-RADS 3) em pacientes assintomáticas costumam ser conduzidas de forma conservadora, com reavaliação no segundo trimestre ou após o parto, evitando intervenções cirúrgicas desnecessárias.
- Protocolo Local (Salvador/Bahia): De acordo com o fluxo de regulação da SESAB/Salvador (atualizado em 18/11/2025), o encaminhamento para o Pré-Natal de Alto Risco (PNAR) deve ser feito via Sistema de Regulação Ambulatorial (SRA). Embora massas anexiais benignas não constem explicitamente na lista de critérios de estratificação, casos com suspeita de neoplasia maligna são referenciados para a Maternidade Prof. José Maria de Magalhães Netto ou o Hospital Geral Roberto Santos.
- Vigilância e Complicações: A equipe da APS deve monitorar sinais de complicações agudas, como a torção anexial, que é uma emergência cirúrgica e pode ocorrer em cistos dermóides durante a gravidez (Dhobale et al., 2023). A dor abdominal súbita é o principal sinal de alerta.
- Continuidade do Cuidado: Não há alta da gestante da Atenção Primária. O acompanhamento de risco habitual (vacinação, exames de rotina, suplementação) deve continuar na Unidade de Saúde da Família (USF) concomitantemente à avaliação especializada.
Conclusão:
A conduta recomendada é o referenciamento para avaliação especializada para confirmação diagnóstica, seguindo o fluxo de regulação de Salvador, mantendo-se a gestante vinculada à sua unidade de origem para o pré-natal de risco habitual e vigilância de sintomas agudos.
Referências Bibliográficas (Formato ABNT):
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. Manual de gestação de alto risco. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022. 692 p.
DHOBALE, A. V. et al. A case oftwistedovariandermoidcystduringpregnancy. Cureus, v. 15, n. 1, p. e33582, 10 jan. 2023. DOI: 10.7759/cureus.33582.
SALVADOR. Secretaria Municipal da Saúde. Diretoria de Atenção Primária à Saúde. Fluxograma de encaminhamento de gestantes para pré-natal alto risco e alto risco maior complexidade através do sistema de regulação ambulatorial da SESAB. Salvador: DAPS, 2025.