Quando suspeitar e qual a importância de tratar o hipogonadismo masculino?

É importante estar atento à possibilidade de hipogonadismo masculino, uma condição que pode comprometer significativamente a qualidade de vida. Essa condição tem sido associada, por exemplo, à síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono (SAHOS), além de impactar negativamente diversos fatores de risco cardiovasculares, como diabetes mellitus tipo 2 (DM2), resistência à insulina e obesidade visceral, atuando por meio da produção de fatores pró-inflamatórios.

Os sinais e sintomas sugestivos de deficiência de testosterona em homens são classificados em três grupos: específicos, sugestivos e inespecíficos.

  1. Sinais e sintomas específicos: desenvolvimento sexual incompleto ou atrasado, perda de pelos púbicos e axilares, testículos com tamanho inferior a 6 cm.
  2. Sinais e sintomas sugestivos: redução da libido, diminuição das ereções espontâneas/disfunção erétil, mastalgia, ginecomastia, proporções corporais eunucóides, infertilidade, baixa contagem de espermatozoides, perda de altura, fraturas por trauma mínimo, baixa densidade óssea, ondas de calor e sudorese.
  3. Sinais e sintomas inespecíficos, porém também associados à deficiência de testosterona: humor deprimido, fadiga, dificuldade de concentração e memória, distúrbios do sono, anemia leve inexplicada (normocítica e normocrômica), redução da massa e força muscular, aumento da gordura corporal e elevação do índice de massa corporal (IMC).

O diagnóstico de hipogonadismo é confirmado em homens que apresentam sinais e sintomas de deficiência de testosterona, associados a níveis séricos consistentemente baixos de testosterona total (TT) ou testosterona livre (TL). O rastreamento de rotina para hipogonadismo na população geral não é recomendado, pois níveis baixos de testosterona isoladamente, sem sinais e sintomas clínicos compatíveis, não confirmam o diagnóstico.

A dosagem laboratorial da testosterona exige alguns cuidados: a coleta deve ser realizada pela manhã, em jejum, entre 7h e 10h. Caso sejam encontrados níveis baixos, é necessário repetir a dosagem para confirmação. Deve-se evitar o uso de suplementos com biotina nas 72 horas anteriores; não realizar a coleta durante ou logo após doença aguda, nem sob uso temporário de medicamentos que interfiram no eixo gonadal.

Todos os homens com diabetes mellitus, síndrome metabólica e obesidade devem priorizar mudanças no estilo de vida, com foco na perda de peso e no controle metabólico, o que pode melhorar os níveis hormonais e os sintomas do hipogonadismo.

O tratamento do hipogonadismo masculino sintomático com terapia de reposição com testosterona (TRT) é recomendado, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida, composição corporal, parâmetros metabólicos, função sexual e saúde óssea. É fundamental evitar níveis suprafisiológicos de testosterona, devido ao risco de eventos adversos e aumento do risco cardiovascular.

Embora a TRT seja o tratamento padrão para homens com hipogonadismo sintomático, ela pode suprimir a espermatogênese e causar atrofia testicular, não sendo, portanto, a melhor opção para homens jovens que desejam preservar a fertilidade. Nesses casos, pode-se considerar o uso de citrato de clomifeno (CC), um modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM), com potencial para restaurar o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal em pacientes com hipogonadismo e função testicular preservada.

Conteudista: Debora Angeli – Cremeb 9582 RQE 9852 – Endocrinologista CEDEBA-CODAR

Referência:

Alexandre Hohl, Camila Sartor Spivakoski, Fernanda Augustin Rigon, Simone van de Sande-Lee, Marcelo Fernando Ronsoni. Hipogonadismo Masculino na Síndrome Metabólica e DM2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023). DOI: 10.29327/5238993.2023-5, ISBN: 978-85-5722-906-8.

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