Crianças comDiabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) são geralmente assintomáticas ou oligossintomáticas por longos períodos, o que justifica a necessidade de rastreamento para DM em indivíduos de alto risco. O DM2 em crianças e adolescentes é caracterizado por RI e diminuição da secreção de insulina, como ocorre em adultos.
Cerca de 50% dos casos são encaminhados a um serviço especializado, em virtude de glicosúria ou hiperglicemia em exame de rotina. Além disso, 30% dos pacientes apresentam poliúria, polidipsia leve e emagrecimento discreto. Alguns pacientes podem ter história de monilíase vaginal.A acantose nigricans está presente em quase 90% dessas crianças, e sinais da síndrome dos ovários policísticos estão presentes em 26% das meninas.
A prevalência de DM2 e de pré-diabetes no Brasil, de acordo com dados do estudo ERICA (Estudo dos Riscos Cardiovasculares em Adolescentes), foi de 3,3% e de 22% em 37.854 adolescentes de 12 a 17 anos de idade, respectivamente.A média de idade dos jovens ao diagnóstico do DM2 é de aproximadamente 13 anos, coincidindo com o período de maior RI.O aumento da prevalência de DM2 nessa faixa etária está fortemente associado à obesidade, especialmente em meninas. Aproximadamente 70% a 90% dos pacientes acometidos são obesos, e 38% apresentam obesidade grave.
Mais de 75% das crianças e adolescentes com DM2 geralmente têm pelo menos um dos parentes de primeiro ou de segundo grau afetados.Indivíduos com sobrepeso que tenham irmãos jovens com DM2 têm risco quatro vezes maior de intolerância à glicose do que outras crianças com sobrepeso sem DM2. Isso evidencia a necessidade de uma abordagem preventiva específica para esse grupo de alto risco.A presença de baixo peso ao nascer também aumenta em sete vezes o risco de RI na vida adulta.
Desta forma, é recomendado pela Sociedade Brasileira de Diabetes realizar triagem de DM2 em crianças e adolescentes a partir de 10 anos de idade ou após o início da puberdade, quando houver sobrepeso/obesidade e pelo menos umfator de risco adicional para DM2.
O rastreamento de DM2 em crianças e adolescentes conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) é feito utilizando os mesmos exames laboratoriais recomendados para adultos: glicemia de jejum, hemoglobina glicada (HbA1c) e o teste oral de tolerância à glicose (TOTG).
Vale destacar que adolescentes com DM2, há rápida deterioração da função das células β, superior à observada em adultos, o que exige cuidado adicional na seleção das terapias farmacológicas para essas pessoas.
Texto compilado por:
Débora Angeli
Cremeb 9582/RQE 9857 – Endocrinologista CEDEBA
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