No diabetes gestacional, a recomendação inicial de tratamento é a terapia nutricional. Devem ser avaliadas as medidas de glicemia capilar 4 a 6 vezes ao dia em um intervalo de até 2 semanas. Os horários em jejum e 1 ou 2 horas pós prandial são os mais recomendados. A insulinoterapia deve ser iniciada se duas ou mais medidas de glicemia estiverem acima da meta neste período. Também pode ser uma opção iniciar quando 30% das medidas em 7 dias estiverem alteradas.
O critério de crescimento fetal para início da insulinoterapia, independentemente dos valores da glicose, pode ser considerado quando a medida da circunferência abdominal fetal for igual ou superior ao percentil 75 em uma ultrassonografia realizada entre a 29a e a 33a semana de gestação.
As metas preconizadas são: glicemia em jejum entre 65 e 95 mg/dL, 1 hora pós prandial até 140 mg/dL e 2 horas pós prandial até 120 mg/dL.
As insulinas NPH e Regular humanas são as de escolha. As insulinas ultrarrápidas tem benefício potencial quando há difícil controle das excursões pósprandiais, apesar de não haver dados científicos de melhora nos desfechos maternos ou neonatais. As insulinas asparte e lispro tem sido as mais amplamente utilizadas neste contexto.
O painel de especialistas da Sociedade Brasileira de Diabetes sugere as seguintes doses iniciais de insulina conforme idade gestacional, devendo-se considerar também o nível de hiperglicemia:
- 0,3 U/kg quando iniciada na 20ª semana de gestação;
- 0,7 a 1,0 U/kg/dia no terceiro trimestre.
A dose inicial total diária frequentemente precisa ser dividida em múltiplas injeções combinando insulina de ação intermediária (NPH) ou longa com insulina de ação rápida (Regular) ou ultrarrápida para mulheres com hiperglicemia de jejum e pós-prandial presentes na maioria das refeições. Entretanto, nos casos em que os valores alterados de glicose ocorram em uma hora específica do dia, o regime de insulina pode ser simplificado. Quando os valores elevados da glicose ocorrem apenas no período pós prandial do café da manhã, está indicado o uso de insulina prandial especificamente antes desta refeição. Nas gestantes com valores elevados de glicose apenas em jejum, o uso noturno de insulina NPH é o mais adequado. Neste casos, as doses iniciais são menores, podendo estar entre 0,1 a 0,2 unidades/Kg/dia.
Independentemente da dose inicial, os ajustes subsequentes devem ser individualizados de acordo com os níveis de glicemia monitorados da mulher em horários específicos do dia.
Fonte:
Compilado por:
Roberta Lordelo Lobo – Médica Endocrinologista CRM 15693 – CEDEBA/ CODAR