Diabetes Mellitus (DM) é a causa mais comum de doença renal crônica (DRC), responsável por aproximadamente 50% dos novos casos de terapia de substituição renal na maioria dos países desenvolvidos. Os dados do censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia de 2024 indicam que 29% dos casos de DRC em diálise, no Brasil, são pessoas com diabetes.
Em geral, a DRD ocorre em 20-40% das pessoas com DM. A DRD é um fator de risco independente para doença cardiovascular (DCV). A albuminúria é preditora independente para eventos cardiovasculares e para insuficiência cardíaca no indivíduo com DM e DRC. Comparado aqueles com DRC no estágio 1 com albuminúria normal, os indivíduos com DRC no estágio 4 e albuminúria aumentada tiveram risco 16 x maior de mortalidade cardiovascular e mortalidade por todas as causas.
É recomendado que o primeiro rastreamento da doença renal do diabetes (DRD) seja feito com amostra de urina, preferencialmente a primeira da manhã, para determinação da Razão Albumina Creatinina (RAC) e estimativa da Taxa de Filtração Glomerular estimada (TFGe) determinada pela creatinina sérica, a partir da equação CKD-EPI de 2021 ou da equação de Schwartz para crianças. No DM2, o rastreamento deve ser iniciado no momento do diagnóstico. No DM1, deve começar a partir da puberdade ou dos 10 anos de idade, em pacientes com pelo menos 5 anos de diagnóstico, sendo repetido anualmente.
- A razão albumina/creatinina urinária (RAC) deve ser dosada em amostra de urina, preferencialmente a primeira urina da manhã (ou pelo menos 4 horas sem urinar).
- Não há necessidade de coletar urina de 24 horas para rastreamento, diagnóstico e seguimento da DRD.
- Todo teste anormal de albuminúria deve ser confirmado em 2 de 3 amostras, coletadas dentro de 3 meses a 6 meses, em razão da grande variabilidade diária.
- Fatores como febre, exercício intenso, insuficiência cardíaca descompensada, hiperglicemia grave, infecção urinária sintomática e hipertensão arterial não controlada podem elevar transitoriamente os valores da RAC.
- A presença de bacteriúria assintomática não interfere de maneira importante no resultado
Referência bibliográfica
João Roberto Sá, Luis Henrique Canani, Érika Bevilaqua Rangel, Andrea Carla Bauer, Themis Zelmanovitz, Sandra Pinho Silveiro, Carolina de Castro Rocha Betônico, Márcio Weissheimer Lauria, Rodrigo Nunes Lamounier, Marcello Bertoluci, Thyago Proença de Moraes. Manejo da Doença Renal do Diabetes. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2025). DOI: 10.29327/5660187.2025-2, ISBN: 978-65-5941-367-6.
Texto compilado por:
Débora Angeli CREMEB 9582 – RQE 9857 Endocrinologista CEDEBA