Qual o impacto na HbA1c e episódios de hipoglicemia com o uso de caneta de insulina? 

O uso de canetas de insulina é amplamente recomendado por estar associado a melhores resultados clínicos quando comparado à administração por seringas convencionais.  

Um ensaio clínico randomizado não cego avaliou, durante 24 semanas, o impacto do uso de caneta versus seringa de insulina em 121 idosos com DM2. Ambos os grupos apresentaram melhora do controle glicêmico, porém a redução da HbA1c foi maior no grupo caneta (-1,94% vs. -1,04%; p < 0,05)¹.  

Esse benefício ocorre porque as canetas permitem uma administração mais precisa das doses prescritas, reduzindo erros de preparo e de aplicação que podem comprometer o tratamento. Além da maior precisão, as canetas são mais simples e práticas de utilizar, exigindo menos etapas para a aplicação da insulina.  

Essa facilidade favorece a adesão ao tratamento, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com limitações visuais ou motoras, que podem apresentar dificuldades para aspirar corretamente a insulina nas seringas.  

Quanto maior a adesão ao esquema terapêutico, maior a regularidade das aplicações e, consequentemente, melhor metas glicêmicas atingidas. 

Outro benefício importante é a redução da ocorrência de episódios de hipoglicemia. Como as canetas possibilitam ajustes mais exatos das doses, diminui-se o risco de administração de quantidades excessivas de insulina, uma das principais causas de hipoglicemia (complicações mais temidas da insulinoterapia). 

Os benefícios também se refletem no conforto e na qualidade de vida das pessoas com diabetes. As agulhas utilizadas costumam ser mais curtas e finas — no Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo, são distribuídas agulhas de 4 mm —, tornando a aplicação menos dolorosa e mais bem aceita pelos usuários. 

Sua portabilidade e discrição permitem que a insulina seja administrada em diferentes ambientes, sem a necessidade de manipulação complexa do medicamento, o que reduz constrangimentos e facilita a manutenção do tratamento na rotina diária. 

Evidências científicas também demonstram que a educação em diabetes desempenha papel fundamental na obtenção de melhores resultados clínicos. Uma revisão sistemática com metanálise, que reuniu 553 estudos randomizados, avaliou diferentes estratégias para aprimorar a qualidade do cuidado em diabetes e destacou a efetividade da educação estruturada para pessoas em uso de insulina. 

Entre os principais resultados observados, programas que combinaram gerenciamento de casos, educação e incentivo ao autocuidado promoveram redução média da HbA1c de 9,4% para 7,2% após quatro meses de acompanhamento². 

Dessa forma, a simples disponibilização das canetas de insulina pelas unidades de saúde não é suficiente para garantir melhores desfechos clínicos. É fundamental que os usuários também tenham acesso a consultas educativas e participem de grupos de educação em diabetes, fortalecendo o conhecimento, a autonomia e o autocuidado necessários para o sucesso do tratamento. 

 

Elaboração: Maria das Graças Velanes de Faria – Enfermeira (COREN-Ba 39.834); Especialista em Educação em Diabetes e Saúde da Família. 

Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia / Coordenadora de Educação em Diabetes e Apoio à Rede. Conteudista do Telessaúde-Bahia 

 

Referências: 

  1. MachryRV, Cipriani GF, Pedroso HU, et al. Pens versus syringes to deliver insulin among elderly patients with type 2 diabetes: a randomized controlled clinical trial. Diabetol Metab Syndr. 2021;13(1):64. doi:10.1186/s13098-021-00675-y 

 

  1. KonnyuKJ, Yogasingam S, Lépine J, et al. Quality improvement strategies for diabetes care: Effects on outcomes for adults living with diabetes. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2023;2023(6). doi:10.1002/14651858.CD014513. 

 

   https://diabetes.org.br acessado em 02 de junho 2026 



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