Durante a exposição ao frio, o organismo libera hormônios do estresse, como adrenalina, cortisol e glucagon. Esses hormônios estimulam o fígado a liberar glicose na corrente sanguínea para fornecer energia e ajudar a manter a temperatura corporal. Como consequência, pode haver hiperglicemia. Além disso, no inverno ou em períodos frios, muitas pessoas praticam menos atividade física, consomem alimentos mais calóricos, consequentemente, ganham peso o que contribuir para maior resistência à insulina e elevação da glicemia.
Doenças comuns no frio, como gripes e resfriados, também podem elevar a glicemia por esse mesmo mecanismo hormonal, já que o corpo entra em estado de maior estresse metabólico.
Por outro lado, em temperaturas mais baixas também pode favorecer episódios de hipoglicemia em algumas situações.
Os tremores musculares provocado pelo frio como forma compensatória para o corpo se aquecer esgotam o estoque de glicogênio rapidamente resultando em queda de glicose principalmente na presença de insulina ativa e redução no consumo alimentar.
Neste contexto, atenção especial deve ser dada as medições de glicemias capilares pois em dias frios as extremidades dos dedos tendem a reduzir o fluxo sanguíneo devido a vasoconstricção dificultando obter uma amostra de sangue adequada. Muitas vezes, surge a necessidade de apertar o dedo, excessivamente, para formar a gota de sangue, o que pode diluir o líquido intersticial à amostra e comprometer ainda mais a precisão do resultado. Também poderá ocorrer maior variabilidade entre medições consecutivas.
Para reduzir o risco de erros, recomenda-se aquecer as mãos antes da coleta, preferencialmente esfregando-as. Outras opções são uso de luva e toalhas de algodão até aquecê-las. Também é útil manter as mãos abaixo do nível do coração por alguns instantes para favorecer a circulação local.
Atenção especial também devem ser dispensadas aos glicosímetros e fitas reagentes. Quando esses insumos são expostos à temperatura baixa comprometem a leitura dos resultados das glicemias. Por isso, o local dos armazenamentos seja no trabalho ou domicílio são pontos importantes a serem considerados.
Em resumo, glicemias capilares realizadas em dedos frios podem não ser totalmente confiáveis, especialmente quando os valores obtidos não correspondem aos sintomas ou ao contexto clínico.
Torna-se evidente a importância dessas orientações à pessoa com diabetes pelos profissionais de saúde. Além dos aspectos técnicos, o profissional contribui para que a pessoa com diabetes compreenda os fatores que podem influenciar os resultados glicêmicos e desenvolver maior autonomia no autocuidado. Por meio da educação em diabetes, torna-se possível prevenir interpretações equivocadas dos valores obtidos, favorecer decisões mais seguras relacionadas ao tratamento e promover um monitoramento glicêmico mais eficaz no cotidiano.
Referências:
Haupt, A., Berg, B., Paschen, P., Dreyer, M., & Schütt, M. (2005). The effects of skin temperature and testing site on blood glucose measurements taken by a modern blood glucose monitoring device. Diabetes Technology & Therapeutics, 7(4), 597–601. https://doi.org/10.1089/dia.2005.7.597
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