O diabetes tipo 2 se associa a aumento de morbimortalidade cardiovascular. As pessoas com DM2 têm a incidência de doença cardiovascular e de acidente vascular isquêmico aumentada em duas vezes a quatro vezes, e a mortalidade aumentada em 1,5 vez a 3,6 vezes. O diabetes tipo 2 também aumenta o risco de insuficiência cardíaca, doença arterial periférica e complicações microvasculares. É estimado que pacientes com diabetes tenham expectativa de vida reduzida em quatro anos a oito anos, em comparação com indivíduos sem diabetes. Os principais determinantes do aumento de risco são: grau de doença aterosclerótica preexistente, eventos cardiovasculares preexistentes, lesões de órgão-alvo relacionadas ao diabetes, número e intensidade de fatores de risco tradicionais e a duração do diabetes. O principal determinante do risco cardiovascular em pessoas com DM sem doença cardiovascular estabelecida é a idade.
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) classifica o risco cardiovascular em quatro categorias — baixo, intermediário, alto e muito alto — considerando idade, fatores de risco, lesões em órgãos-alvo e histórico de eventos cardiovasculares.
É recomendado que pacientes com diabetes sejam avaliados sem depender exclusivamente de calculadoras de risco, pois estas podem subestimar o risco real, especialmente em DM2.
As categorias de risco são definidas da seguinte forma:




Os estratificadores de alto risco (EAR) incluem fatores como hipertensão, dislipidemia, tabagismo, microalbuminúria e função renal reduzida. Os estratificadores de muito alto risco (EMAR) englobam histórico de eventos cardiovasculares, lesões em órgãos-alvo (retinopatia, nefropatia, aterosclerose subclínica) e duração prolongada do diabetes.
A definição da categoria de risco possui grande importância para definir metas terapêuticas precisas e estratégias preventivas eficazes, incluindo a escolha dos antidiabéticos, visando reduzir morbimortalidade em pessoas com diabetes. Pacientes com alto ou muito alto risco se beneficiam enormemente do uso de agonistas do receptor de GLP-1 ou inibidores da SGLT2 (iSGLT2), classes de medicamentos que comprovadamente reduzem infartos, mortalidade cardiovascular e a progressão de doenças renais. A SBD e a Sociedade Brasileira de Cardiologia recomendam metas de colesterol LDL mais rigorosas de acordo com a categoria de risco: Baixo risco: LDL <115 mg/dL, Intermediário: LDL <100 mg/dL, Alto: LDL <70 mg/dL, Muito alto: LDL <50 mg/dL, Risco extremo: LDL <40mg/dL.
Texto compilado por:
Débora Angeli
Cremeb 9582/RQE 9857
Endocrinologista CEDEBA
Referências Bibliográficas:
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Ruy Lyra, Fernando Valente, Luciano Albuquerque, Saulo Cavalcanti, Marcos Tambascia, Wellington S. Silva Júnior e Marcello Casaccia Bertoluci. Manejo da Terapia Antidiabética no DM2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2025). DOI: 10.29327/5660187.2025-14, ISBN: 978-65-5941-367-6.