O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica em que o sucesso no manejo a curto, médio e longo prazo depende diretamente da adesão do paciente ao autocuidado. Conforme apontado nas Diretrizes da SBD de 2024, “o DM representa um desafio constante para muitas pessoas, devido à dificuldade em aderir às mudanças de estilo de vida e comportamento necessárias para o controle eficaz da glicemia e prevenção de complicações.”
Um aspecto importante e frequentemente negligenciado é o “diabetes burnout”, um estado de exaustão emocional e mental em que a pessoa se cansa de administrar a própria condição. Nesse estado, o indivíduo pode ignorar os cuidados necessários, como monitoramento da glicemia, consultas médicas, uso de medicação e alimentação adequada. Esse quadro é mais comum entre pessoas com diabetes tipo 1, mas pode afetar qualquer pessoa que lide com a condição por um longo período.
Os sinais de burnout incluem:
- Sentimentos negativos intensos em relação ao diabetes, como frustração, culpa e sobrecarga;
- Sensação de estar controlado pela doença;
- Isolamento emocional e sensação de solidão na jornada com o diabetes;
- Desmotivação para realizar os cuidados necessários, evitando ações como medições glicêmicas e aplicação de insulina;
- Sintomas de estresse, ansiedade e depressão.
Como lidar com o burnout relacionado ao diabetes?
É fundamental que profissionais de saúde adotem uma abordagem empática e colaborativa, livre de julgamentos, centrada no paciente. Isso permite que a pessoa com diabetes tenha um papel ativo no planejamento, monitoramento e superação dos desafios associados ao manejo da doença.
Além disso, é essencial incluir atenção psicossocial no atendimento de rotina. Oferecer suporte emocional à pessoa com DM, seus familiares e cuidadores ajuda a melhorar a adesão ao tratamento, o autocuidado e a qualidade de vida. Encaminhamentos para psicólogos ou psiquiatras devem ser considerados sempre que houver sinais de sofrimento emocional significativo.
Principais objetivos do suporte psicoterapêutico:
- Melhorar o autocuidado e reduzir sintomas emocionais associados;
- Desenvolver estratégias para mudanças comportamentais que promovam controle glicêmico e bem-estar psicológico.
A comunicação centrada no paciente tem se mostrado eficaz para aumentar o conhecimento sobre o diabetes, aprimorar o autocuidado e proporcionar melhores desfechos metabólicos e emocionais. Incorporar avaliações psicossociais no atendimento é indispensável para evitar a deterioração do estado metabólico ou psicológico.
Conteudista: Dra. Débora Angeli – Cremeb 9582 / RQE 9857
Endocrinologista CODAR/CEDEBA
Referências:
- Kontoangelos K et al. Burnout Related to Diabetes Mellitus: A Critical Analysis. Clin Pract Epidemiol Ment Health. 2022.
- Rodrigues G et al. Aspectos psicossociais do diabetes tipos 1 e 2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023).