Qual a importância da avaliação dos sinais clínicos na prevenção do pé neuropático? 

O Consenso Internacional de Pé Diabético (IWGDF) alerta que o pé neuropático é uma das complicações comuns em pacientes com Diabetes Mellitus (DM2), resultante de danos nos nervos periféricos. Identificar sinais preditivos é crucial para a prevenção de úlceras e amputações. A prevenção consiste em evitar e identificar precocemente a neuropatia. O Consenso sugere o monitoramento de vários fatores que aumentam  o risco de ulcerações e amputações de extremidades.

A detecção precoce desses sinais é crucial para prevenir complicações graves e deve ser realizado por profissionais de saúde atuantes na Atenção Primária à Saúde (APS), já que as unidades básicas são a porta de entrada desses usuários. A avaliação clínica deve ser realizada em todas as pessoas com DM2, logo após o diagnóstico e após  5 anos do início de DM1. Caso não sejam detectadas alterações, é necessário reavaliar anualmente.

Os profissionais devem se debruçar em uma avaliação clínica dos pés buscando identificar os sinais preditivos da neuropatia diabética, que incluem:

  • Perda de sensibilidade: a neuropatia periférica frequentemente causa uma redução ou perda completa da sensação nos pés. Isso inclui a capacidade de sentir dor, temperatura e pressão, tornando o pé vulnerável a lesões sem que o paciente perceba.
  • Alterações na pele: a pele do pé pode se tornar seca e rachada devido à diminuição da sudorese, facilitando a entrada de infecções. Calosidades e áreas de pressão elevada também são comuns, podendo evoluir para úlceras.
  • Alterações na cor e temperatura da pele: mudanças na cor da pele, como palidez ou rubor, e variações na temperatura, com áreas mais frias ou mais quentes, podem indicar problemas circulatórios associados à neuropatia.
  • Úlceras e feridas: a presença de úlceras é um sinal claro de neuropatia avançada. Essas lesões muitas vezes começam pequenas, mas podem se expandir e infeccionar rapidamente devido à má circulação e à capacidade reduzida de cicatrização.
  • Infecções frequentes: pessoas com neuropatia diabética têm maior risco de infecções nos pés, que podem começar como pequenas lesões ou calosidades infectadas e rapidamente evoluir para problemas graves devido à circulação comprometida.
  • Ausência de reflexos: a ausência de reflexos nos pés, como o reflexo aquileu, é um sinal comum de neuropatia periférica.
  • Deformidades: a neuropatia pode causar alterações na estrutura do pé, como dedos em garra ou martelo, e o colapso do arco plantar. Essas deformidades aumentam os pontos de pressão, contribuindo para o desenvolvimento de lesões.

Sendo a pessoa com diabetes o protagonista do tratamento, cabe aos profissionais de saúde orientá-los quanto a  importância do autocuidado dos pés nas consultas iniciais ou nos grupos educativos, incluindo a inspeção diária, hidratação adequada da pele, uso de calçados apropriados e busca imediata da equipe que o acompanha ao notar qualquer alteração. 

Condeudista: Maria das Graças Velanes de Faria – Enfermeira (COREN-Ba 39.834), especialista em Educação em Diabetes e Saúde da Família.
Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia – Coordenadora de Educação em Diabetes e Apoio à Rede.

Referências:
https://diabetes.org.br/

Consenso Internacional de Pé Diabético- IWGDF atualizado 2023

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