A hipertensão arterial crônica (HAC) na gestação é definida como PA ≥ 140×90 mmHg diagnosticada antes da gestação ou antes de 20 semanas, ou ainda identificada na gestação e persistente após 12 semanas do puerpério. Trata-se de condição de alto risco obstétrico, associada a maior incidência de pré-eclâmpsia, restrição de crescimento fetal, prematuridade e desfechos maternos adversos.
Confirmação diagnóstica e estratificação inicial
· Aferir PA corretamente (técnica padronizada, manguito adequado, repouso prévio).
· Confirmar história prévia de hipertensão.
· Identificar uso atual de anti-hipertensivos.
· Estimar idade gestacional (DUM e/ou USG precoce).
· Determinar o tempo do diagnóstico de hipertensão
· Verificar a presença de lesão de órgão-alvo prévia (função renal, ECG, ecocardiograma materno, fundoscopia)
· Identificar a presença de outras patologias associadas (diabetes, obesidade, doença renal)
· Conhecer os antecedentes obstétricos (número de gestações e suas evoluções e intercorrências associadas como pré-eclâmpsia, RCIU, óbito fetal)
Anamnese dirigida
· Sintomas atuais (cefaleia, escotomas, dor epigástrica)
· História cardiovascular
· História renal
· Uso de medicamentos contraindicados (IECA, BRA, espironolactona)
· Identificar a história familiar de doença hipertensiva especifica da gestação
Exame físico
· PA em ambos os braços
· Peso, IMC
· Avaliação de edema
· Altura uterina (se >12 semanas)
· Ausculta fetal quando aplicável
· Avaliação cardiovascular e pulmonar
Solicitação de exames iniciais (específicos)
· Laboratoriais:
· Hemograma
· Creatinina e ureia
· TGO/TGP
· Ácido úrico
· EAS e proteinúria (relação proteína/creatinina ou 24h)
· Glicemia de jejum
· Obstétricos:
· Ultrassonografia obstétrica precoce
· Tipagem sanguínea e sorologias conforme protocolo e demais exames da rotina pré-natal.
Manejo medicamentos
· Suspender medicamentos contraindicados: IECA (ex.: captopril) BRA (ex.: losartana) e Inibidores diretos da renina
· Substituir por fármacos seguros na gestação: Metildopa, Nifedipina, Labetalol
· Manter níveis pressóricos: PA entre 120–159/80–109 mmHg (evitar hipotensão excessiva).
Profilaxia de pré-eclâmpsia
· Indicar AAS em baixa dose (100–150 mg/dia) a partir de 12 semanas até 36 semanas, salvo contraindicação.
· Realizar suplementação de cálcio (1–1,5 g/dia)
Planejamento do seguimento
· Consultas mais frequentes (intervalo menor que o habitual)
· Monitorização regular da PA
· Vigilância de sinais de alarme:
· Cefaleia persistente
· Alterações visuais
· Dor em hipocôndrio direito
· Redução de movimentos fetais
· Dispneia
Conteudista:
David da Costa Nunes Júnior
Ginecologista Obstetra – Área Técnica de Saúde da Mulher da SESAB
Referencia Bibliográfica:
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012. 316 p. (Cadernos de Atenção Básica, n. 32).