Quais são as práticas de rastreamento, monitoramento e manejo do distress no paciente com Diabetes?

Diabetes é uma condição crônica que afeta milhões de pessoas no Brasil, tornando-se um desafio de saúde pública significativo. Além dos aspectos físicos, o diabetes também pode provocar um grande impacto emocional, levando ao que chamamos de “distress” ou sofrimento emocional. Muitas pessoas que convivem com a doença enfrentam sentimentos de ansiedade, depressão e estresse devido à necessidade de gerenciamento constante dos níveis de glicose, às mudanças na dieta e ao medo de complicações futuras.

A presença de comorbidades psiquiátricas, tais como depressão, ansiedade e desordens alimentares, tem sido associada consistentemente a não adesão ao tratamento medicamentoso, ao controle glicêmico inadequado e ao desenvolvimento de complicações relacionadas ao Diabetes Mellitus (DM). O rastreamento de comorbidades psiquiátricas deve ser encorajado na Atenção Primária pela equipe de saúde, e esta precisa ser capaz de reconhecer quadros de depressão, ansiedade, diabetes distress e transtornos alimentares, diferenciando-os das dificuldades rotineiras relacionadas ao manejo do diabetes.

Enfrentar o distress no diabetes é de fundamental importância clínica por várias razões, não apenas para o controle metabólico, mas também para a promoção do bem-estar geral e um manejo eficaz, e alguns pontos podemos destacar:

  • Controle glicêmico: pessoas com altos níveis de distress tendem a ter maior dificuldade em seguir recomendações dietéticas e em realizar o autocuidado, resultando em pior controle glicêmico;
  • Saúde mental: o diabetes está associado a um aumento do risco de ansiedade e depressão. Abordar o distress pode ajudar a prevenir ou tratar esses problemas, melhorando a saúde mental geral destas pessoas;
  • Qualidade de vida: pessoas que lidam com o distress de forma eficaz frequentemente relatam maior satisfação com a vida e melhores relações sociais;
  • Prevenção de complicações: o estresse emocional pode contribuir para o desenvolvimento de complicações, como doenças cardiovasculares e neuropatia.
  • Adesão ao tratamento: pessoas que se sentem apoiadas e que têm estratégias para lidar com o distress tendem a ser mais aderentes às orientações médicas e ao uso de medicamentos.
  • Educação e autocuidado: facilitar a educação em diabetes e o desenvolvimento de habilidades de autocuidado, capacitando os pacientes a gerenciar melhor sua condição;
  • Suporte social:  aumentar o suporte social pode levar a um melhor suporte emocional e prático, essencial para o manejo da diabetes.

É fundamental a promoção da conscientização sobre a importância da saúde mental no gerenciamento do diabetes, sendo crucial difundir uma abordagem integrada, que inclua tanto o tratamento físico quanto o suporte emocional. Programas de educação em diabetes com incentivo às práticas de autocuidado, como exercícios físicos regulares, meditação e uma alimentação balanceada, apoio psicológico e grupos de apoio, podem ajudar a mitigar o impacto do distress e promover uma gestão mais eficaz do acompanhamento das pessoas com diabetes.

No Brasil existem alguns questionários validados para a avaliação do distress em pacientes com diabetes. Um dos mais utilizados é o Diabetes Distress Scale (DDS), que é uma ferramenta que ajuda a identificar sentimentos de sobrecarga, preocupação e frustração que as pessoas podem sentir em relação ao manejo da doença, abordando questões emocionais, sociais e de gestão da doença.. É sempre importante que a aplicação desses questionários seja acompanhada por profissionais de saúde capacitados, que possam interpretar os resultados e oferecer suporte adequado.

O Diabetes Distress Scale (DDS) consiste em 17 itens que abordam diferentes aspectos do distress em diabetes, como preocupações com a saúde, autoconfiança no manejo da doença e apoio social. Os respondentes avaliam cada item em uma escala de 1 a 6, onde 1 representa “nunca” e 6 representa “sempre”. Isso permite capturar a frequência e a intensidade do distress. Os escores são somados, e um escore mais alto indica um maior nível de distress. O DDS pode ser aplicado em consultas de rotina por profissionais de saúde. Após a coleta dos dados, os escores podem ser analisados para identificar áreas específicas de preocupação. Um escore alto em determinados itens pode indicar a necessidade de intervenções direcionadas como suporte psicológico, estratégias de manejo e recursos adicionais, como grupos de apoio ou terapia. É importante repetir a avaliação em intervalos regulares para monitorar mudanças no distress e a eficácia das intervenções.

Conteudista:  Débora Angeli – Cremeb 9582 QRE 9857 – Endocrinologista CODAR/CEDEBA

Referencias Bibliográficas:

Raquel Curcio, Neuza Maria Costa Alexandre,  Heloisa de Carvalho Torres, Maria Helena Melo Lima. Acta paul. enferm. 25 (5) • 2012 – Tradução e adaptação do “Diabetes Distress Scale – DDS” na cultura brasileira. https://doi.org/10.1590/S0103-21002012005000025 

American Diabetes Association. 5. Lifestyle Management: Standards of Medical Care in Diabetes-2019. Diabetes Care. 2019 Jan;42(Suppl 1):S46–60.

Rodrigues G, Malerbi F, Pecoli P, Forti A, Bertoluci M. Aspectos psicossociais do diabetes tipos 1 e 2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023). DOI: 10.29327/557753.2022-23, ISBN: 978-85-5722-906-8.

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