Quais orientações e condutas podem ser iniciadas na APS para mulheres com suspeita ou diagnóstico de Endometriose?

O cuidado às mulheres com suspeita ou diagnóstico de Endometriose na Atenção Primária à Saúde (APS), deve ser iniciado de forma oportuna, mesmo antes da confirmação diagnóstica, com foco no alívio dos sintomas, na melhoria da qualidade de vida e na coordenação do cuidado. É importante um acolhimento com escuta qualificada, valorizando queixas como dor pélvica crônica, dismenorreia intensa e dispareunia, evitando a banalização desses sintomas e considerando seus impactos físicos, emocionais e sociais. 

A avaliação clínica deve incluir anamnese detalhada, investigando características da dor, sua relação com o ciclo menstrual, presença de sintomas intestinais ou urinários cíclicos e possíveis dificuldades para engravidar, além da realização de exame físico ginecológico quando possível. Na APS, o diagnóstico pode ser clínico, o que permite o início do manejo sem a necessidade de confirmação imediata por exames especializados. O tratamento inicial pode incluir o uso de analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais para controle da dor. Nos casos em que não há desejo reprodutivo imediato, pode-se iniciar terapia hormonal, como contraceptivos hormonais combinados, progestagênios ou dispositivo intrauterino com levonorgestrel, conforme disponibilidade e elegibilidade clínica. Essas medidas visam reduzir a dor e suprimir a atividade da doença. 

O acompanhamento longitudinal na APS é essencial para monitorar a resposta ao tratamento, reavaliar sintomas e ajustar condutas ao longo do tempo, garantindo a coordenação do cuidado na rede de atenção. O encaminhamento para a atenção especializada deve ser realizado nos casos de falha do tratamento inicial, dor intensa ou incapacitante, suspeita de formas profundas da doença ou infertilidade associada, mantendo a APS como ordenadora do cuidado. 

Dessa forma, a APS desempenha papel central na redução do tempo para o diagnóstico, no início precoce do tratamento e no acompanhamento contínuo das mulheres com Endometriose. 

 

Referências: 

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Endometriose. Brasília: MS. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde de A a Z: Endometriose. Disponível em: https://www.gov.br/saude 
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. 
Secretaria da Saúde do Estado do Ceará. Linha de Cuidado à Pessoa com Endometriose. 

Conteudista: Naiara Andrade – Teleconsultora de enfermagem  

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