Quais cuidados são necessários para evitar erros que podem levar a falsos resultados na checagem da glicemia?

Diabetes é uma condição crônica caracterizada pelo aumento persistente da glicemia, ou seja, do açúcar (glicose) no sangue. O tratamento requer o uso de medicamentos orais ou injetáveis, além do planejamento alimentar e exercício físico.

Uma das habilidades que a pessoa com diabetes deve desenvolver para o controle da diabetes é realizar a monitorização glicêmica. Medir a glicemia capilar ou “fazer a ponta de dedo” é essencial para verificar se a glicemia está dentro do valor esperado, abaixo ou acima. O resultado exibido no visor do glicosímetro (aparelho medidor da glicemia capilar) servirá de parâmetro para que possa fazer as correções necessárias e prevenir tanto a hiperglicemia quanto a hipoglicemia. 

É necessário adotar alguns cuidados antes e durante o teste para evitar resultados imprecisos:

  •  Atenção à temperatura

Altas temperaturas podem danificar o glicosímetro e as fitas. Por isso, deve ser acondicionado em ambiente fresco, arejado e longe da luz solar. De modo geral e sem especificar marca, a faixa de temperatura de armazenamento é de 5 ºC a 45 ºC para o glicosímetro e de 2 ºC a 30 ºC para as fitas medidoras.  O ideal é sempre ler as recomendações do fabricante e atentar-se às especificações do aparelho em uso.

  • Avaliar as condições do aparelho e fitas

Precisam estar em condições ambientais adequadas para o transporte da fábrica até o local de dispensação e, posteriormente, para o domicílio. Sempre que adquirir um conjunto de aparelho e tiras, deve-se  observar se há algum dano. A princípio, pode ser difícil notar algo, mas conforme for utilizando os aparelhos, será mais fácil perceber alterações. É fundamental o manejo correto do glicosímetro e seu armazenamento.

  • Evitar umidade

As tiras ficam hermeticamente fechadas e, no interior da tampa, há um reservatório que mantém o ambiente interno seco, protegendo o produto da umidade, fator que pode comprometer o resultado do teste. O suor excessivo nas mãos, mãos molhadas sobre a tira reagente e a umidade do ar em dias chuvosos podem comprometer o resultado da glicemia. Para a assepsia das mãos, é recomendado o uso do álcool 70% e não em gel.

  • Lavar as mãos

Manter as mãos limpas e secas, pois resíduos de alimentos, bebidas ou outras substâncias nas mãos podem contaminar a amostra de sangue, assim como, cremes ou loções podem afetar a precisão dos resultados. 

  • Prazo de validade das tiras:

Deve-se atentar para a data de validade no frasco das tiras, que não devem ser utilizadas se estiverem vencidas. Além disso, em vez de deixar as tiras soltas no estojo ou espalhadas na gaveta, guarde-as na embalagem original.

  • Não reutilizar lancetas:

Reutilizar lancetas pode introduzir bactérias e outros patógenos na pele, aumentando o risco de infecções. Após o primeiro uso, a ponta da lanceta pode ficar deformada, tornando a punção mais dolorosa. Uma lanceta desgastada pode não perfurar a pele adequadamente, resultando em uma amostra de sangue insuficiente para uma leitura precisa da glicemia. Lanceta compartilhada há risco de transmissão de doenças infecciosas.

Condeudista: Maria das Graças Velanes de Faria – Enfermeira (COREN-BA 39.834), especialista em Educação em Diabetes e Saúde da Família. Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia – Coordenadora de Educação em Diabetes e Apoio à Rede.

Referências:
https://diabetes.org.br/
Portaria Sectics/MS nº 7, de 28 de fevereiro de 2024, e protocolo clínico: https://drive.google.com/file/d/1bSFNIDEsa8z_oFUgwS0q4RmnYSVH1Efv/view?usp=sharing

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