A conduta em relação à amamentação varia conforme o tipo de hepatite viral envolvida. De modo geral, o aleitamento materno é recomendado na maioria dos casos, desde que sejam observadas medidas específicas para reduzir o risco de transmissão.
Hepatite B
A infecção materna pelo vírus da hepatite B (HBV) não contraindica a amamentação, mesmo quando a mãe apresenta HBsAg positivo ou alta carga viral. O principal fator de proteção para o recém-nascido é a profilaxia adequada ao nascimento, que consiste na administração de:
● Primeira dose da vacina contra hepatite B, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida;
● Imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHAHB), também nas primeiras 12 horas de vida para recém-nascidos de mães HBsAg positivas.
Quando essas medidas são realizadas corretamente, o risco de transmissão vertical é reduzido de forma significativa, permitindo a manutenção do aleitamento materno.
Cuidados adicionais:
● Garantir que o esquema vacinal da criança seja completado conforme o calendário recomendado;
● Monitorar fissuras mamilares e sangramento. Embora a amamentação não precise ser suspensa rotineiramente, alguns especialistas recomendam cautela temporária caso haja sangramento importante nos mamilos, devido à possível exposição ao sangue materno;
● Manter acompanhamento da mãe e da criança nos serviços de referência.
Hepatite C
A infecção pelo vírus da hepatite C (HCV) também não contraindica a amamentação, pois não há evidências consistentes de transmissão significativa do vírus por meio do leite materno. Entretanto, recomenda-se atenção especial quando houver:
● Fissuras mamilares;
● Sangramento dos mamilos;
● Lesões mamárias com exposição sanguínea.
Nessas situações, pode-se orientar a interrupção temporária da amamentação na mama afetada até a cicatrização da lesão.
Hepatite A
A hepatite A, causada pelo vírus HAV, não constitui contraindicação absoluta ao aleitamento materno. Como a principal via de transmissão é fecal-oral, os cuidados devem enfatizar:
● Higienização rigorosa das mãos após uso do banheiro e troca de fraldas;
● Cuidados adequados com higiene pessoal e ambiental;
● Manipulação segura de alimentos.
Hepatite E
A hepatite E é rara no Brasil, mas, assim como ocorre com a hepatite A, não há contraindicação rotineira à amamentação. Os cuidados concentram-se em:
● Higiene adequada;
● Monitoramento clínico da mãe e do recém-nascido;
● Avaliação individualizada em casos graves.
Hepatite D
A hepatite D ocorre apenas em indivíduos infectados pelo HBV. Assim, as recomendações relativas à amamentação seguem as mesmas orientações da hepatite B:
● Aleitamento materno permitido;
● Vacinação do recém-nascido contra hepatite B;
● Administração de imunoglobulina anti-HBV quando indicada.
Referências:
Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar.
Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite B e Coinfecções.
Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Aleitamento Materno.
World Health Organization. Guidelines on Hepatitis B and Prevention of Mother-to-Child Transmission.
Centers for Disease Control and Prevention. Breastfeeding and Special Circumstances: Viral Hepatitis
Redator: Bruno Araujo de Jesus