Quais as principais considerações sobre o Dia Mundial de Conscientização do Diabetes?

O Dia Mundial do Diabetes é celebrado anualmente em 14 de novembro. A data foi instituída pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) e pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo principal de alertar a população sobre a doença, promover a conscientização e divulgar estratégias de prevenção. Além disso, busca evidenciar o aumento alarmante de casos em todo o mundo, o que levou à Resolução 61/225, que reconhece o diabetes como uma doença crônica, debilitante e de alto custo social e econômico, representando um dos principais desafios globais de saúde do século XXI.

Para simbolizar essa data, a IDF e a ONU escolheram a cor azul e o círculo como ícones oficiais. O azul representa a cor do céu e da bandeira das Nações Unidas, simbolizando a unidade global, enquanto o círculo é o símbolo universal da união, sem começo nem fim.

De acordo com a IDF, o Brasil ocupa o 6º lugar no mundo em número de pessoas com diabetes, sendo o 1º na América Latina. Atualmente, mais de 16 milhões de brasileiros vivem com a condição, e estima-se que esse número chegue a 23,2 milhões até 2045. No cenário mundial, a projeção é que o número de adultos com diabetes aumente de 537 milhões para 643 milhões em 2030, alcançando 784 milhões em 2045.

Diante desse panorama, é fundamental promover a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado, além de divulgar as leis que garantem os direitos das pessoas com diabetes.

Entre essas legislações, destaca-se a Lei nº 11.347/2006, que determina a distribuição gratuita de medicamentos e materiais necessários à aplicação de insulina e ao monitoramento da glicemia capilar para pessoas com diabetes inscritas em programas de educação em saúde.
Para ter acesso a esses benefícios pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é necessário que a pessoa esteja cadastrada em um programa de educação para o autocuidado, com acompanhamento clínico regular e registro em prontuário.

A lei também prevê que o Ministério da Saúde defina uma lista de medicamentos e insumos disponibilizados gratuitamente. No entanto, municípios e estados podem ampliar essa lista por meio de normas regionais e programas próprios, garantindo uma cobertura mais abrangente às necessidades das pessoas com diabetes.

Com informação, acompanhamento e políticas públicas efetivas, é possível prevenir complicações, fortalecer o autocuidado e promover mais qualidade de vida para quem convive com o diabetes.

Outra norma importante é a Lei nº 13.895/2019, que institui a Política Nacional de Prevenção do Diabetes e de Assistência Integral à Pessoa com Diabetes, representando um avanço significativo nas políticas públicas de saúde.
Essa lei tem como objetivo fortalecer as ações de prevenção, diagnóstico precoce, tratamento, acompanhamento e reabilitação, em todos os níveis de atenção do SUS. Ela reforça a importância de uma abordagem intersetorial e centrada na pessoa, visando à redução da morbimortalidade e à melhoria da qualidade de vida.

Entre suas diretrizes, destacam-se a promoção de campanhas educativas e de conscientização, enfatizando a importância do monitoramento regular da glicemia, da adesão ao tratamento e da educação em saúde como ferramentas essenciais para o autocuidado e o controle glicêmico.
A lei também estabelece que o SUS é responsável não apenas pelo tratamento, mas também pelo manejo das complicações agudas e crônicas, garantindo o acesso gratuito e integral aos serviços e insumos necessários.

O tema adotado pela International Diabetes Federation (IDF) para este ano é:“Diabetes e Bem-Estar no Trabalho”, com o apoio da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

A escolha do tema se baseia em diversos fatores, entre eles:
O ambiente de trabalho é um local central na vida adulta — onde passamos boa parte do dia, consolidando hábitos (como sedentarismo, alimentação e pausas para atividade física) e lidando com rotinas e estresse que impactam diretamente a saúde.

Para quem vive com Diabetes Mellitus, manter o controle glicêmico, realizar pausas para alimentação adequada ou para medir a glicemia pode ser desafiador se o ambiente laboral não for acolhedor ou adaptado.

A inclusão e valorização das pessoas com diabetes são fundamentais, pois ainda há estigma e falta de informação, o que pode comprometer o bem-estar e o desempenho profissional.

Empresas públicas e privadas podem contribuir ao permitir pausas flexíveis para o autocuidado, criar espaços adequados para aferição da glicemia e aplicação de insulina, além de promover ações de educação em saúde, como campanhas sobre alimentação saudável e prática de atividade física.

É importante lembrar que episódios de hipoglicemia durante o expediente configuram uma urgência médica, reforçando a necessidade de o funcionário comunicar seu diagnóstico para que a empresa possa oferecer suporte adequado.
Também é recomendável que o colaborador deixe orientações sobre como proceder em casos de hipoglicemia ou hiperglicemia.

Com a possível aprovação do Projeto de Lei nº 2.687/2022, que propõe classificar o diabetes como deficiência para todos os efeitos legais, abre-se a perspectiva de uma maior inclusão nas ações de saúde e prevenção no ambiente de trabalho.
Essa mudança pode representar um avanço importante na promoção de ambientes laborais mais seguros, informados e acolhedores, incentivando campanhas educativas e estratégias de apoio.

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