Pessoas com diabetes possuem maior risco de fraturas por osteoporose? 

De acordo com as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes,  o diabetes mellitus (DM) é um importante fator de risco para fraturas, e é influenciado por diversos fatores como: a heterogeneidade da doença, o tempo de diagnóstico, a deterioração da capacidade muscular, a presença de complicações macro e microangiopáticas e o tratamento utilizado para controle glicêmico. É recomendado considerar o diabetes mellitus como um fator de risco independente para fraturas e o risco de fraturas no DM2 aumenta especialmente após 10 anos de diagnóstico.  

É também recomendado calcular o risco de fratura pelo FRAX (Fracture Risk Assessment tool), ajustado para diabetes em todas as mulheres e homens com diabetes, a partir dos 50 anos de idade, assim como realizar o exame de densitometria óssea (DMO) em mulheres e homens com diabetes, a partir dos 50 anos de idade, quando houver pelo menos 1 fator de risco adicional para fraturas.  

Para confirmar o diagnóstico de osteoporose em mulheres com diabetes, na peri ou pós menopausa, e em homens a partir dos 50 anos é recomendada a presença de, pelo menos um dos seguintes critérios:  1) fratura vertebral ou quadril por fragilidade; 2) Risco de fratura alto ou muito alto em 10 anos pelo FRAX Brasil ajustado ou 3) T-score da DMO ≤ -2,0 na coluna lombar ou fêmur proximal. 

Fatores de risco para fraturas 
Gerais: Mulheres a partir dos 65 anos ou homens a partir dos 70 anos. Índice de Massa Corporal (IMC) reduzido. Fratura prévia por fragilidade. História familiar de fratura. Artrite reumatóide. Tabagismo. Etilismo. Quedas frequentes. Baixa (DMO).  Uso crônico de corticóide. Relacionados ao DM: Mais de 10 anos de DM. HbA1c persistentemente ≥ 9%.           Risco de fratura intermediário, alto ou muito alto (FRAX ajustado) https://abrasso.org.br/frax-brasil/           Hipoglicemias frequentes. Presença de neuropatia, retinopatia e/ou nefropatia relacionadas ao DM. Uso de insulina, tiazolidinedionas ou canagliflozina. 

  • Nenhum anti-diabético é contra-indicado, todavia vale destacar que muitos agentes utilizados no tratamento do DM podem influenciar a massa óssea e o risco de fratura. Alguns devido ao risco de hipoglicemias e quedas, como as  sulfonilureias e insulina, assim como o uso de tiazolidinedionas e canagliflozina requer avaliação cuidadosa da relação risco-benefício em virtude da maior incidência de fraturas, sobretudo com a primeira classe de drogas que podem reduzir DMO em mulheres na pós- menopausa. 

  • A reposição de cálcio na dieta, entre 1-1,2g ao dia, associada  à vitamina D,  juntamente com a farmacoterapia específica, é recomendada para o tratamento da osteoporose em pessoas com diabetes com o objetivo de reduzir o risco de fraturas. 


Texto compilado por:  

Débora Angeli 

Cremeb 9582/RQE 9857 

Endocrinologista CEDEBA 

Referência Bibliográfica: 

Francisco José Albuquerque de Paula, Barbara Campolina C Silva, Catarina Brasil d´Alva, Monique Nakayama Ohe, Miguel Madeira, Leonardo Bandeira e Farias, Narriane Chaves Pereira de Holanda, Neuton Dornelas Gomes, Ruy Lyra da Silva Filho, Márcio Weissheimer Lauria, Marcello Casaccia Bertoluci. Diagnóstico e tratamento da osteoporose no paciente com Diabetes. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2025). DOI: 10.29327/5660187.2025-4 , ISBN: 978-65-5941-367-6. 

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