A diabetes é considerada a segunda maior causa de amputações, ficando atrás apenas dos traumas. O impacto dessas amputações é enorme, gerando sequelas incapacitantes, além de um ônus pessoal e econômico significativo. O diagnóstico tardio, tratamento inadequado e a falta de rastreamento de risco contribuem para uma situação alarmante: estima-se que, no mundo, a cada 20 segundos, uma pessoa perca parte do pé devido a complicações do diabetes. Segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular (SBACV), em série histórica, aponta que cerca de 238 mil amputações estão relacionadas à falta de autocuidado, tabagismo, neuropatia, arteriopatia periférica, deformidades nos pés e o uso de calçados inadequados.
A ulceração nos pés por diabetes (UPD) refere-se à presença de úlceras ou feridas que podem variar de espessura parcial (atingindo apenas a epiderme) a total, podendo envolver as estruturas ósseas. Lesões pré-ulcerativas, como bolhas, rachaduras, micoses e alterações nas unhas, como onicogrifose (espessamento exagerado das unhas) e onicocriptose (unhas encravadas), também são comuns.
Os principais fatores de risco para úlceras ou lesões pré ulcerativas (bolhas, rachaduras, micoses e alterações ungueais) são:
- Hiperglicemia;
- Hipertensão arterial;
- Tabagismo;
- Obesidade;
- Falta de educação para o autocuidado;
- Polineuropatia simétrica distal, ou seja, a alteração da sensação protetora nos pés, o que diminui a sensibilidade;
- Alteração no fluxo arterial;
- Deformidades pela limitação da mobilidade articular;
- Uso de calçados inadequados.
As consequências mais graves dessas lesões incluem infecções, osteomielite, perda do membro e, em casos extremos, o óbito.
Os profissionais de saúde podem aprimorar o manejo e a prevenção dessas complicações por meio da capacitação contínua, do engajamento e da articulação com sociedades especializadas. Assim, ações mais eficazes voltadas para a educação para o autocuidado poderão ser promovidas, baseadas em informações corretas e nas melhores evidências científicas.
Para as pessoas com diabetes e seus cuidadores, é essencial que os profissionais de saúde incentivem a leitura do e-book da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) sobre cuidados com os pés, que aborda desde higiene, secagem, hidratação, corte adequado das unhas, autoexame e o uso de calçados apropriados.
Link: https://diabetes.org.br/ebook/algoritmo-do-pe-em-diabetes/.
Conteudistas:
Maria das Graças Velanes de Faria – Enfermeira (COREN-BA 39.834), especialista em Educação em Diabetes e Saúde da Família. CEDEBA – Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia – Coordenadora de Educação em Diabetes e Apoio à Rede.
Roberta Lordelo Lobo – Médica Endocrinologista CRM 15693. CEDEBA – Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia – Atua na Coordenaçção de Educação em Diabetes e Apoio à Rede.
Referências:
Mattos L, Admoni S, Parisi M, Custódio J, Bertoluci M. Infecção no pé diabético. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023).