A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação que pode se manifestar após a 20ª semana, e o reconhecimento precoce é essencial para evitar complicações graves como eclâmpsia e síndrome HELLP, que configura uma forma severa de pré-eclâmpsia, marcada por hemólise, elevação das enzimas hepáticas e redução do número de plaquetas.
Consequentemente, o pré-natal regular permite identificar precocemente o risco de pré-eclâmpsia e agir na prevenção. A gestante deve ser rastreada para fatores de risco, e quando há um fator de alto risco ou dois fatores de risco moderado, é indicada a adoção de medidas preventivas não farmacológicas e farmacológicas.
Nesse cenário, a enfermagem desempenha um papel estratégico no cuidado integral à gestante, atuando na linha de frente tanto do pré-natal de baixo risco quanto do alto risco.
Durante o acompanhamento,o enfermeiro deve:
- Avaliar rotineiramente a pressão arterial e observar sinais clínicos de alerta;
- Ganho de peso que se associa a edema de mãos e face;
- Identificar precocemente fatores de risco e sinais de agravamento, encaminhando a gestante para avaliação médica quando necessário;
- Monitorar a evolução clínica e os resultados de exames laboratoriais;
- Executar prescrições médicas e protocolos institucionais;
- Orientar a gestante e sua família sobre autocuidado, sinais de alarme e importância da adesão ao pré-natal.
Além disso, o enfermeiro deve ficar atento aos fatores de risco moderado/alto:
- Histórico pessoal ou familiar de pré-eclâmpsia;
- Primigestas (primeira gestação);
- Idade ≥ 35 anos – Gravidez prévia com desfecho adverso (descolamento prematuro de placenta, baixo peso ao nascer com > 37 semanas, trabalho de parto prematuro);
- Gestação múltipla;
- Obesidade ou ganho excessivo de peso gestacional;
- Doenças crônicas: hipertensão arterial prévia, diabetes mellitus tipo 1 ou 2, doença renal, lúpus eritematoso sistêmico;
- Gestação decorrente de reprodução assistida.
Ao identificar qualquer um desses sinais, o profissional deve encaminhar a gestante para avaliação médica imediata, garantir o monitoramento contínuo da pressão arterial e reforçar as orientações sobre sinais de alarme e adesão ao pré-natal.
O acompanhamento atento e qualificado da enfermagem é fundamental para prevenir desfechos graves e promover segurança materno-fetal.
Conteudista: Alexsandra Santana Pereira (Bacharela em saúde – UFRB, Pós-graduada em Saúde Coletiva – Unopar/Anhanguera, Graduanda de Enfermagem – UFRB)
Referências:
Brasil. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica nº 32: Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: MS, 2012.
Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo da Atenção à Saúde da Mulher:Gestação de Alto Risco. Brasília: MS, 2022.
Organização Mundial da Saúde (WHO). Recommendations for prevention and treatment of pre-eclampsia and eclampsia. Geneva: WHO,
2023.
Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Manual de hipertensão na gestação. São Paulo, 2022.
Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). Boletim de Vigilância em Saúde da Mulher: Síndromes hipertensivas na gestação. Rio de Janeiro, 2023.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. Manual de gestação de alto risco [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. – Brasília : Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_gestacao_alto_risco.pdf
Peraçoli JC, Costa ML, Cavalli RC, de Oliveira LG, Korkes HA, Ramos JGL, Martins-Costa SH, de Sousa FLP, Cunha Filho EV, Mesquita MRS, Corrêa Jr MD, Araujo ACPF, Zaconeta AM, Freire CHE, Poli-de-Figueiredo CE, Rocha Filho EAP, Sass N. Pré-eclampsia – Protocolo 2023. Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez (RBEHG), 2023. Disponível em: https://rbehg.com.br/wp-content/uploads/2023/04/PROTOCOLO-2023.pdf