O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é uma estratégia de intervenção voltada ao cuidado integral da pessoa assistida, considerando os recursos disponíveis da equipe multiprofissional, do território, da rede de apoio sociofamiliar e do próprio sujeito. Sua construção deve envolver uma análise aprofundada do problema e a participação ativa de todas as partes envolvidas, com definição de responsabilidades, cronograma e estratégias de acompanhamento e avaliação (CAMPOS; GAMA, 2010). Para a implementação e monitoramento do PTS, destaca-se a importância de um profissional ou miniequipe de referência, responsável por articular ações entre a pessoa assistida, a equipe e a rede de apoio, além de acionar outros serviços da rede socioassistencial sempre que necessário (OLIVEIRA, 2010).
A escolha da miniequipe ou técnico de referência deve se orientar, preferencialmente, pela vinculação da pessoa assistida com o profissional, sem eximir os demais integrantes da equipe de suas responsabilidades no processo de cuidado. A elaboração, pactuação de prazos e avaliação das ações podem envolver todos os profissionais, de acordo com as necessidades apresentadas (OLIVEIRA, 2010). O Guia de Matriciamento em Saúde Mental propõe que o PTS contemple abordagens biológicas, psicossociais e familiares, apoio dos sistemas de saúde e das redes comunitárias, além de uma clara definição das tarefas e responsáveis. Recomenda-se ainda a revisão periódica do PTS para repactuação e reformulação, conforme a avaliação dos resultados alcançados (CHIAVERINI et al., 2011).
No processo de formulação do PTS, Oliveira (2010) propõe uma série de questões norteadoras que permitem compreender o contexto, as relações, as vulnerabilidades e as necessidades das pessoas envolvidas, estimulando a escuta e a análise crítica das situações. Essa reflexão é organizada em três movimentos: co-produção da problematização, co-produção do projeto e co-gestão/avaliação. Na co-produção da problematização, o foco está na participação ativa da pessoa assistida na definição do problema e na construção de sentidos compartilhados. A co-produção do projeto busca pactuar objetivos coletivos e contextualizados, evitando ações padronizadas. Já a co-gestão/avaliação envolve o acompanhamento contínuo e a manutenção de espaços coletivos de discussão e revisão do PTS, conforme a dinâmica de cada serviço.
Por fim, a implementação do PTS ainda representa um desafio para os serviços e equipes de saúde, exigindo abertura para o novo, disposição para o diálogo e manejo da imprevisibilidade que acompanha os processos de cuidado. Conforme o Ministério da Saúde, o PTS convida os profissionais a enxergarem possibilidades onde antes se viam limites, reconhecendo que o caminho de cada pessoa ou coletivo é singular e deve ser construído em negociação constante com a equipe de saúde (BRASIL, 2007).
É possível encontrar mais informações sobre o tema nas referências bibliográficas deste texto e nas webaulas: “Projeto Terapêutico Singular: a potência de uma ferramenta de cuidado na produção de saúde” e “Projeto Terapêutico Singular como ferramenta de trabalho: construindo pontes para projetos de vida”.
Conteudista: Caliandra Machado Pinheiro – Psicóloga e sanitarista, doutora em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia. Técnica da Área Técnica de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia.
Links das Webaulas:
Projeto Terapêutico Singular como ferramenta de trabalho: construindo pontes para projetos de vida. https://www.youtube.com/watch?v=HZjl62ijohs
Projeto Terapêutico Singular: a potência de uma ferramenta de cuidado na produção de saúde.
https://youtu.be/VvuOil6QJFY?si=M-hK4nFgMSNQKs0x
Referências Bibliográficas:
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Clínica ampliada, equipe de referência e projeto terapêutico singular. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2007.
CAMPOS, R. O.; GAMA, C. Saúde mental na Atenção Básica. In: CAMPOS, G. W. S.; GUERRERO, A. V. P. (orgs.). Manual de práticas da Atenção Básica: saúde ampliada e compartilhada. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 2010. p. 411.
CHIAVERINI, D. H. (org.) Guia prático de matriciamento em saúde mental. Brasília: Ministério da Saúde; Centro de Estudo e Pesquisa em Saúde Coletiva, 2011.
OLIVEIRA, G. N. de. O Projeto Terapêutico Singular. In: CAMPOS, G. W. S.; GUERRERO, A. V. P. (orgs.). Manual de práticas da Atenção Básica: saúde ampliada e compartilhada. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 2010. p. 411.