O que é Leishmaniose?

A leishmaniose é uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Leishmania e transmitida pela picada de insetos conhecidos como flebotomíneos, popularmente chamados de mosquito-palha. No Brasil, ela pode se apresentar principalmente nas formas tegumentar e visceral.
A leishmaniose tegumentar afeta a pele e as mucosas, causando feridas que podem deixar sequelas. Já a leishmaniose visceral é mais grave, comprometendo órgãos como fígado, baço e medula óssea.

Fatores de risco:
Os principais fatores de risco para a leishmaniose estão relacionados à exposição ao vetor transmissor em áreas endêmicas. Morar ou frequentar locais com acúmulo de matéria orgânica, vegetação densa e condições sanitárias inadequadas aumenta o risco de infecção.
A presença de reservatórios animais infectados, especialmente cães, também contribui para a manutenção da transmissão. Atividades ocupacionais ou recreativas realizadas em ambientes rurais, florestais ou periurbanos favorecem o contato com o mosquito-palha. Além disso, condições de vulnerabilidade social e habitações precárias podem aumentar a exposição ao vetor. Em relação à leishmaniose visceral, indivíduos imunossuprimidos apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença. A expansão urbana desordenada também tem contribuído para a ocorrência de casos em novas áreas.

Sinais e sintomas:
Fique atento aos sinais e sintomas a serem observados no atendimento ao paciente:
Leishmaniose Tegumentar
● Feridas (úlceras) na pele de difícil cicatrização;
● Lesões únicas ou múltiplas, geralmente indolores;
● Acometimento de mucosas do nariz, boca e garganta;
● Congestão nasal, sangramentos e deformidades em casos avançados.

Leishmaniose Visceral:
● Febre prolongada;
● Perda de peso e fraqueza;
● Aumento do fígado e do baço (hepatoesplenomegalia);
● Palidez decorrente de anemia;
● Sangramentos e maior suscetibilidade a infecções em casos graves.

Formas de Prevenção da Leishmaniose:
● Utilizar repelentes e roupas que protejam braços e pernas, especialmente ao entardecer e à noite;
● Instalar telas em portas e janelas e utilizar mosquiteiros;
● Manter quintais e terrenos limpos, evitando o acúmulo de folhas, lixo e matéria orgânica;
● Realizar o manejo adequado de animais domésticos, principalmente cães;
● Participar das ações de vigilância e controle promovidas pelos serviços de saúde;
● Buscar orientação dos profissionais de saúde ao identificar sinais suspeitos da doença.

Importância da Prevenção:
● Reduz o risco de infecção pelo parasita;
● Interrompe o ciclo de transmissão da doença;
● Diminui a ocorrência de casos graves e óbitos;
● Contribui para a proteção da comunidade;
● Fortalece o controle da leishmaniose como problema de saúde pública.

Diagnóstico:
Médico(a)s e Enfermeiro(a)s da Atenção Básica:
● Exame parasitológico direto: identificação do parasita em amostras de lesões, medula óssea, linfonodos ou outros tecidos.
● Testes sorológicos: detecção de anticorpos contra Leishmania, especialmente úteis na leishmaniose visceral.
● Teste rápido imunocromatográfico: método de fácil execução, utilizado principalmente para auxiliar no diagnóstico da leishmaniose visceral.
● Exames moleculares (PCR): detectam o material genético do parasita, apresentando alta sensibilidade e especificidade.
● Exames laboratoriais complementares: hemograma, provas de função hepática e outros exames podem auxiliar na avaliação clínica e na gravidade da doença.
A confirmação laboratorial é recomendada sempre que possível para definir o diagnóstico e orientar o tratamento adequado.

Tratamento:
● O tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível, após confirmação diagnóstica e avaliação clínica do paciente.
● A escolha do medicamento depende da forma clínica da doença (tegumentar ou visceral), da idade, das condições clínicas e da presença de comorbidades.
● Antimoniais pentavalentes são tradicionalmente utilizados no tratamento de diversas formas da leishmaniose.
● Anfotericina B é indicada em casos graves, pacientes imunossuprimidos, gestantes e outras situações específicas.
● Miltefosina pode ser utilizada em situações definidas pelos protocolos vigentes e conforme disponibilidade.
● O acompanhamento clínico é fundamental para monitorar a resposta ao tratamento e identificar possíveis efeitos adversos.
● Casos graves ou com complicações podem necessitar de internação hospitalar e acompanhamento especializado.
● O seguimento após o tratamento é importante para verificar a cura e detectar possíveis recidivas da doença.

Quando encaminhar para atenção especializada:
● Casos suspeitos ou confirmados de leishmaniose visceral;
● Presença de sinais de gravidade ou complicações clínicas;
● Gestantes, crianças pequenas e idosos com suspeita ou confirmação da doença;
● Pacientes imunossuprimidos (HIV/AIDS, transplantados, uso de imunossupressores, entre outros);
● Casos com diagnóstico duvidoso ou necessidade de exames complementares especializados;
● Presença de lesões extensas, múltiplas ou em mucosas na leishmaniose tegumentar;
● Casos com falha terapêutica, recidiva ou resistência ao tratamento;
● Ocorrência de reações adversas graves aos medicamentos utilizados;
● Necessidade de acompanhamento multiprofissional ou tratamento hospitalar.

A prevenção da leishmaniose envolve medidas para reduzir o contato com o mosquito-palha, como o uso de repelentes, telas de proteção e a manutenção de ambientes limpos. Entre os principais fatores de risco estão a residência ou permanência em áreas endêmicas, condições precárias de saneamento e a presença de reservatórios infectados. A identificação precoce de novos casos depende do reconhecimento dos sinais e sintomas suspeitos pelos profissionais de saúde e pela população. A investigação clínica deve ser associada ao histórico epidemiológico do paciente. O diagnóstico oportuno permite o início rápido do tratamento e reduz o risco de complicações. A vigilância contínua é essencial para o controle da doença e a interrupção da cadeia de transmissão.

 

 

Referências:
● Ministério da Saúde – Leishmaniose Visceral: Guia de Vigilância em Saúde Brasil. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde: Leishmaniose Visceral. Brasília: Ministério da Saúde.
● Ministério da Saúde – Manual de Vigilância da Leishmaniose Tegumentar Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Vigilância da Leishmaniose Tegumentar. Brasília:
Ministério da Saúde.
● Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
Fundação Oswaldo Cruz. Informações técnicas sobre leishmaniose tegumentar e visceral.
● Organização Mundial da Saúde (WHO) – Leishmaniasis
World Health Organization. Leishmaniasis – Fact Sheets and Technical Resources.
● Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) – Leishmanioses
Organização Pan-Americana da Saúde. Informações epidemiológicas e estratégias de controle das leishmanioses nas Américas.
● Brasil. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde – Volume Único. Brasília: Ministério da Saúde, edição mais recente.
● Sociedade Brasileira de Medicina Tropical
Documentos técnicos e materiais de atualização sobre diagnóstico, tratamento e prevenção das leishmanioses

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