O diagnóstico de fibromialgia pode ser realizado pelo médico da família (PSF) ou somente pelo reumatologista?

Historicamente, o diagnóstico da fibromialgia tem sido atribuído à especialidade da reumatologia. No entanto, os avanços na ciência da dor — especialmente impulsionados pela Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde do Brasil — têm promovido uma compreensão mais ampla da síndrome.

Atualmente, reconhece-se que:

  • O diagnóstico da fibromialgia é exclusivamente clínico;
  • Não se trata de um diagnóstico de exclusão, ou seja, pode ser feito mesmo na presença de outros diagnósticos;
  • A presença da fibromialgia não invalida a coexistência de outras doenças clinicamente relevantes.

A reumatologia continua sendo indicada nos casos em que, além da fibromialgia, o paciente apresente sinais e sintomas sugestivos de doenças inflamatórias articulares. Essa orientação está descrita nos Protocolos de Encaminhamento da Atenção Básica para a Atenção Especializada – Reumatologia e Ortopedia (Ministério da Saúde, 2016).

Dessa forma, embora ainda não exista um “padrão-ouro” universalmente aceito para o diagnóstico da fibromialgia, os critérios e ferramentas diagnósticas mais recentes apontam que sim, o(a) médico(a) de família está apto(a) a realizar o diagnóstico da fibromialgia, sendo esse um papel legítimo e respaldado pelas diretrizes de saúde vigentes.

Conteudista: Bruno Ramos – Osteopata, mestre em Dor e Pesquisador em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Oeste da Bahia. Coordenador clínico do Programa Humanizador de Fibromialgia de Barreiras/BA e Diretor do Instituto da Coluna e Clínica da Dor do Oeste da Bahia.

Referências:

Brasil. Ministério da Saúde. Protocolos de encaminhamento da atenção básica para a atenção especializada – Reumatologia e Ortopedia [recurso eletrônico]. Universidade Federal do Rio Grande do Sul – versão preliminar – Brasília: Ministério da Saúde, 2016. (v. 3)

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