O corrimento vaginal é uma queixa frequente em mulheres em idade reprodutiva e pode resultar da presença simultânea de mais de uma infecção, o que pode conferir à secreção um aspecto inespecífico. Os agentes etiológicos mais comuns são o fungo Candida albicans, a bactéria Gardnerella vaginalis e o protozoário Trichomonas vaginalis.
É fundamental avaliar a percepção da mulher em relação à presença de corrimento vaginal, bem como investigar suas características, incluindo consistência, coloração e odor, além da presença de prurido e sinais de irritação local. A anamnese deve ser minuciosa, contemplando informações sobre práticas sexuais, data da última menstruação, hábitos de higiene vaginal, uso de medicamentos e exposição a possíveis agentes irritantes.
Durante o exame ginecológico, o profissional deve avaliar cuidadosamente as características do corrimento, assim como a presença de ulcerações, edema ou eritema. Essa avaliação constitui etapa essencial da propedêutica para o manejo das infecções do trato reprodutivo e deve ser realizada de acordo com as recomendações do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para a Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).
A candidíase vulvovaginal é causada predominantemente por Candida albicans. Clinicamente, caracteriza-se por prurido intenso, ardor, corrimento vaginal esbranquiçado, espesso e grumoso, geralmente sem odor, além de dispareunia superficial e disúria externa. Ao exame físico, observam-se eritema e fissuras vulvares, corrimento aderido à parede vaginal sob a forma de placas esbranquiçadas, edema vulvar, escoriações e lesões satélites, que podem apresentar aspecto pustuloso em decorrência do ato de coçar.
A vaginose bacteriana é a desordem mais comum do trato genital inferior e constitui a principal causa de corrimento vaginal com odor fétido. Está associada à redução dos lactobacilos e ao crescimento excessivo de bactérias anaeróbias, com predominância de Gardnerella vaginalis. O odor desagradável, frequentemente intensificado após o coito e durante a menstruação em razão da alcalinização do conteúdo vaginal, é a principal queixa relatada pelas pacientes. Ao exame especular, observa-se geralmente mucosa vaginal íntegra, com coloração marrom homogênea ao teste de Schiller, recoberta por corrimento perolado e bolhoso, decorrente da liberação de aminas voláteis.
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Característica |
Candidíase Vulvovaginal |
Vaginose Bacteriana |
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Agente etiológico |
Fungos (Candida albicans e espécies não albicans) |
Bactérias anaeróbicas (predomínio Gardnerella vaginalis) |
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Sintomas principais |
Prurido, ardência, corrimento grumoso sem odor, dispareunia de introito, disúria externa |
Corrimento vaginal com odor fétido, especialmente após coito ou menstruação |
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Sinais ao exame |
Eritema e fissuras vulvares, corrimento com placas brancas aderidas à parede vaginal, edema vulvar, escoriações e lesões satélites, às vezes pustulosas |
Paredes vaginais geralmente íntegras, marrom homogêneas ao teste de Schiller, banhadas por corrimento perolado e bolhoso devido às aminas voláteis |
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília: Ministério da Saúde, 2022. ISBN 978‑65‑5993‑276‑4. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/pcdts/2022/ist/pcdt-ist-2022_isbn-1.pdf. Acesso em: 19 de janeiro de 2026.
Conteudista: Bruna Brasil – Enfermeira graduada pela Universidade Federal da Bahia – Residente Multiprofissional em saúde da Família pela FESF-SUS/BA
Revisão: Naiara Andrade – Teleconsultora de Enfermagem