(COMPETÊNCIA 2025) Qual a conduta mais adequada diante de um quadro de miíase nasofaríngea identificado na Atenção Primária à Saúde (APS)?

Mês de Referência: Dezembro de 2025

ID: 17513 

Núcleo: Telessaúde Bahia (SESAB)

Área Temática: Cuidados primários

 

RESPOSTA:

Quadros de miíase localizados em cavidades profundas (nasal e nasofaríngea), especialmente quando associados a sinais de inflamação acentuada, edema ou celulite de face, não devem ser manejados exclusivamente no nível primário. A conduta imediata consiste no encaminhamento para avaliação otorrinolaringológica em ambiente hospitalar para realização de exames diagnósticos (nasofibroscopia e imagem) e remoção completa das larvas sob visualização direta, minimizando riscos de complicações graves.

Fundamentação Teórica

A miíase é a infestação de tecidos humanos por larvas de dípteros. Diferente da forma cutânea superficial, a localização nasofibroscópica configura um cenário de alto risco por dois motivos principais:

  • Limitação Técnica da APS: A anatomia da cavidade nasal impede a visualização direta e a remoção manual completa de todas as larvas. A permanência de material biológico (fragmentos de larvas) acentua a resposta inflamatória e predispõe à infecção bacteriana secundária.
  • Risco de Invasividade: As larvas em cavidades profundas possuem espinhos que facilitam a fixação e migração. Há risco real de extensão para a órbita, osteíte (infecção óssea), sinusite invasiva e, em casos graves, comprometimento intracraniano.

Importante: A lavagem nasal está contraindicada na vigência de miíase ativa ou obstrução nasal importante, devido ao risco de deslocamento das larvas para estruturas ainda mais profundas, agravando o quadro infeccioso.

Orientações Práticas para a APS

Se o paciente for mantido em monitoramento na APS enquanto aguarda a regulação, a família deve ser instruída a procurar imediatamente a emergência hospitalar caso surjam:

  • Febre ou dor facial intensa;
  • Nova epistaxe (sangramento nasal) de grande volume;
  • Alteração neurológica ou de consciência;
  • Redução da acuidade visual ou dor na órbita;
  • Reaparecimento ou aumento da saída de larvas.

Codificação

  • CID-10: B87.3 (Miíase nasofaríngea)
  • CIAP-2: R73 (Abscesso/furúnculo no nariz)

Referências

  1. DynaMed. Myiasis. EBSCO Information Services. 2025.
  2. Kuo H, et al. Nasal myiasis in patientswithconsciousnessdisorder: A case reportandliterature review. Zhong Nan Da Xue XueBao Yi Xue Ban. 2021; 46(12).
  3. Muñoz N, et al. Cranial Osteomyelitis as a complicationof furuncular myiasis. Rev. Paul Pediatr. 2021; 39.
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolos de Encaminhamento da Atenção Básica para a Atenção Especializada.

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