Métodos contraceptivos disponíveis no SUS

Os métodos contraceptivos disponíveis no SUS na atenção primária e secundária são: DIU de cobre, anticoncepcional oral combinado, anticoncepcional injetável combinado mensal, anticoncepcional injetável de progestágeno trimestral, Pílula de progestágeno isolado e implante subdérmico (implanon)?

Verdadeiro. Além dos métodos citados, estão disponíveis a contracepção oral de emergência (popularmente conhecida como pílula do dia seguinte), preservativos internos e externos e os procedimentos cirúrgicos de laqueadura tubária e vasectomia.


Métodos cirúrgicos (laqueadura e vasectomia) só podem ser realizados mediante autorização do cônjuge/parceiro?

Falso. Segundo a Lei14.443/2022, são critérios para acessar os métodos cirúrgicos ter mais de 21 anos ou pelo menos dois filhos vivos. Não é mais necessária a autorização do cônjuge ou parceiro para realizar a laqueadura ou vasectomia.

Se a pessoa escolher a cirurgia e atender aos critérios legais, deverá assinar um termo de consentimento e ser encaminhada ao serviço especializado. Entre a manifestação da vontade e a realização da laqueadura ou vasectomia, é necessário um prazo mínimo de 60 dias.


O acesso aos métodos contraceptivos só é possível após consulta médica?

Falso. A orientação sobre métodos contraceptivos também pode ocorrer em consultas de planejamento familiar com a enfermagem nas Unidades Básicas de Saúde. Além disso, preservativos masculinos e femininos estão disponíveis em todas as UBSs gratuitamente.


O implante subdérmico (implanon) é um método com índice de falha menor que a laqueadura?

Verdadeiro. O implante é um método contraceptivo de alta eficácia, apresentando taxas de falha (0,05%) menores do que as observadas na esterilização feminina (0,5%) ou masculina (0,15%).


O implanon contém etonogestrel que é liberado na corrente sanguínea durante 3 anos?

Verdadeiro. O etonogestrel presente no implanon é liberado lentamente durante pelo menos 3 anos, inicialmente com doses de 60 a 70 mcg/dia, diminuindo para 35 a 45 mcg/dia no final do primeiro ano, 30 a 40 mcg/dia no final do segundo ano, e depois de 25 a 30 mcg/dia no término do terceiro ano. Todos esses valores são acima dos considerados para inibição da ovulação.


São contraindicações aos métodos contendo estrogênio: Hipertensão arterial sistêmica, enxaqueca com aura, doença cardíaca isquêmica atual ou prévia, AVE atual ou prévio, diabetes há mais de 20 anos ou com doença vascular, TVP ou TEP atual ou prévio, câncer de mama atual ou prévio, idade maior que 35 anos se associada ao tabagismo e amamentação nos primeiros 6 meses?

Verdadeiro. Além das citadas, são contraindicações aos métodos combinados: cirrose descompensada, adenoma hepatocelular ou hepatoma, cirurgia de grande porte com imobilização prolongada, trombofilia conhecida e lúpus eritematoso sistêmico com anticorpo anticardiolipina positivo/desconhecido.


Um dos efeitos colaterais do uso de progestágenos isolados é o padrão irregular de sangramento vaginal?

Verdadeiro. O efeito colateral mais comum de métodos contendo apenas progestagênio está relacionado às alterações no padrão de sangramento, que se torna imprevisível. Mas há opções para tratar esse efeito como alteração do tipo ou dose do progestagênio, associação com estrogênio quando possível, uso de AINEs ou doxiciclina por exemplo.


Com o uso de injetável trimestral, é possível que o retorno da fertilidade demore até 1 ano?

Verdadeiro. Pode ocorrer demora no retorno de fertilidade, podendo ser de até 1 ano. Essa informação é importante principalmente para quem deseja se programar para engravidar.


O principal mecanismo de ação do DIU de cobre situa-se na reação de corpo estranho pelo endométrio e esse método não inibe a ovulação?

Verdadeiro. O DIU de cobre promove uma reação de corpo estranho desencadeada pelos sais de cobre e polietileno. A liberação de uma pequena quantidade de metal estimula a produção de prostaglandinas e citocinas no útero forma uma “espuma” biológica na cavidade uterina, que apresenta efeito tóxico sobre espermatozoides e óvulos, alterando a viabilidade, o transporte e a capacidade de fertilização deles. Além disso, dificulta a implantação por meio de uma reação inflamatória crônica endometrial. A presença de cobre no muco cervical também atua na diminuição da motilidade e viabilidade dos gametas masculinos. A inibição da ovulação não está presente nesse método.


ELABORADO POR: Kirlla Leão – Residente de MFC FESF-SUS.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Contracepção. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-mulher/saude-sexual-e-reprodutiva/contracepcao. Acesso em: 29 jun. 2026.

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Tratado de ginecologia. 2. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2025.

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