Insuficiência cardíaca

A insuficiência cardíaca permanece como uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular no mundo. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas, a estratificação adequada do risco e a implementação oportuna das terapias baseadas em evidências são fundamentais para melhorar os desfechos clínicos. o objetivo atual é modificar a história natural da doença, reduzindo hospitalizações, retardando a progressão da disfunção cardíaca e aumentando a sobrevida. O cuidado eficaz da insuficiência cardíaca vai além da prescrição medicamentosa: envolve vigilância clínica contínua, atuação interdisciplinar e compromisso permanente com a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Confira os mitos e verdades:

A insuficiência cardíaca de alto débito pode ocorrer em condições como anemia grave, hipertireoidismo e fístulas arteriovenosas?
Resposta: Verdadeiro. Nesses casos, o débito cardíaco encontra-se elevado, porém insuficiente para suprir as demandas metabólicas aumentadas.

A presença de terceira bulha (B3) em adultos é considerada um sinal de aumento da pressão de enchimento ventricular e pior prognóstico?
Resposta: Verdadeiro. A B3 reflete enchimento ventricular rápido em ventrículo dilatado ou com aumento das pressões intracavitárias, sendo um marcador clássico de insuficiência cardíaca avançada.

Os inibidores da SGLT2 demonstraram benefício clínico apenas em pacientes com diabetes mellitus associado à insuficiência cardíaca?
Resposta: Falso. Estudos como DAPA-HF, EMPEROR-Reduced e EMPEROR-Preserved demonstraram benefício para cardioproteção, independentemente da presença de diabetes.

A classificação funcional NYHA avalia diretamente a gravidade da disfunção ventricular observada ao ecocardiograma?
Resposta: Falso. A NYHA avalia limitação funcional e sintomas. Não necessariamente existe correlação direta entre classe funcional e fração de ejeção.

O perfil hemodinâmico “frio e úmido” na insuficiência cardíaca aguda está associado a pior prognóstico hospitalar?
Resposta: Verdadeiro. Este perfil combina hipoperfusão e congestão, apresentando maior mortalidade e necessidade de terapias avançadas.

O uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) pode precipitar a descompensação da insuficiência cardíaca?
Resposta: Verdadeiro. Os AINEs promovem retenção de sódio e água, aumento da pressão arterial e redução da eficácia dos diuréticos.

O sacubitril/valsartana reduz mortalidade cardiovascular e hospitalizações em pacientes com ICFER sintomática?
Resposta: Verdadeiro. O estudo PARADIGM-HF demonstrou superioridade em relação ao enalapril para esses desfechos.

Pacientes com insuficiência cardíaca e fibrilação atrial devem receber anticoagulação apenas quando apresentarem fração de ejeção abaixo de 40%?
Resposta: Falso. A indicação de anticoagulação baseia-se principalmente no escore CHA₂DS₂-VASc e não apenas na fração de ejeção.

Na insuficiência cardíaca avançada, a caquexia cardíaca está associada a aumento da mortalidade?
Resposta: Verdadeiro. A perda involuntária de peso reflete um estado catabólico sistêmico e é marcador independente de pior prognóstico.

A presença de bloqueio de ramo esquerdo com QRS ≥150 ms pode indicar terapia de ressincronização cardíaca em pacientes selecionados.
Resposta: VERDADEIRO. A terapia de ressincronização reduz sintomas, hospitalizações e mortalidade em pacientes elegíveis.

Referências:
1. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Insuficiência
Cardíaca.
2. European Society of Cardiology. Guidelines for the Diagnosis and
Treatment of Acute and Chronic Heart Failure.
3. American College of Cardiology.
4. American Heart Association. Heart Failure Guidelines.
5. Heart Failure Society of America. Heart Failure Management Guidelines

Redator: Bruno Araujo de Jesus

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