Houve mudança na idade de rastreamento universal para DM ?

Diabetes é um problema que cresce no mundo todo. O Atlas Global do Diabetes 2025, publicado pela International Diabetes Federation (IDF), revelou que, no mundo, 589 milhões de adultos entre 20 e 79 anos vivem com diabetes, número que pode chegar a 853 milhões até 2050. O mais preocupante: mais de 250 milhões ainda não sabem que têm a doença. O Brasil ocupa o 6º lugar mundial em número de casos de Diabetes, com 16,6 milhões de pessoas vivendo com a doença. E que cerca de 11% da nossa população adulta está com pré-diabetes, o que representa 17,7 milhões de brasileiros em risco. 

A hiperglicemia é um fator de risco contínuo para desfechos micro e macrovasculares. Tanto o tempo como a intensidade da hiperglicemia estão associados ao desenvolvimento e à progressão de complicações micro e macrovasculares.No momento do diagnóstico do DM2, 8% a 16% dos pacientes já apresentam retinopatia, 17% a 22% já têm microalbuminúria e 14% a 48% já têm algum grau de neuropatia periférica. Alguns estudos mostram haver um atraso de três anos a seis anos entre o início da doença e o diagnóstico do DM2, sendo, por isso, muito importante que se detecte o DM2 o mais cedo possível. Desta forma, devemos estar atentos ao pré-diabetes e seu potencial de progressão para DM2. 

 

Diante desse cenário, a Sociedade Brasileira de Diabetes atualizou a recomendação de idade mínima para rastrear o diabetes, que antes era de 45 anos e agora passa ser à partir dos 35 anos. Ampliar a faixa etária de rastreamento de DM2 possibilita a detecção mais precoce da doença, o que pode reduzir o risco de suas complicações crônicas. Além disso, identifica pessoas com maior propensão para desenvolvimento de DM, que poderão se beneficiar de estratégias eficazes de prevenção da doença, como modificações do estilo de vida.  

 

 Para indivíduos com menos de 35 anos, o rastreamento  antecipado é indicado se houver sobrepeso ou obesidade (IMC ≥ 25 kg/m²) associado a pelo menos um fator de risco adicional (como histórico familiar, inatividade física, hipertensão). 

 

Destacamos que o pré-diabetes (pré-DM) é uma condição com elevado risco para desenvolver DM2. Cerca de 25% dos pacientes progridem para DM2, 50% permanecem como estão e 25% revertem para normalidade, em um período observacional de 3 a 5 anos. Indivíduos mais idosos, com sobrepeso ou com outros fatores de risco, por sua vez, tendem a evoluir para DM2 em maior proporção. Os principais fatores que determinam a progressão são: a história familiar de DM2, a presença de sobrepeso e obesidade, a síndrome metabólica, a presença prévia de doença cardiovascular, a história de DM gestacional (DMG), o uso crônico de drogas antipsicóticas, valores elevados de HbA1c acima de 6% e a glicemia de jejum igual ou superior a 110 mg/dl. 

 

O uso da metformina, associado a medidas de estilo de vida, deve ser considerado na prevenção do DM2 em adultos com pré-DM nas seguintes situações: idade menor que 60 anos, obesos com IMC acima de 35 kg/m2, mulheres com história prévia de diabetes gestacional, na presença de síndrome metabólica, com hipertensão ou quando a glicemia de jejum for maior que 110 mg/dl. Outras medicações eficazes na prevenção de DM2 no pré-diabetes, porém ainda sem análise de custo-efetividade, podem ser consideradas de acordo com os seus respectivos riscos, custos e efeitos adversos. 

 

Texto compilado por: 

Débora Angeli 

Cremeb 9582/RQE 9857 

Endocrinologista CEDEBA 

 

Referências bibliográficas: 

 

Giacaglia L, Barcellos C, Genestreti P, Silva M, Santos R, Vencio S, Bertoluci M. Tratamento farmacológico do pré-diabetes. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023). DOI: 10.29327/557753.2022-9, ISBN: 978-85-5722-906-8. 

 

Melanie Rodacki, Roberta A. Cobas, Lenita Zajdenverg, Wellington Santana da Silva Júnior, Luciano Giacaglia, Luis Eduardo Calliari, Renata Maria Noronha, Cynthia Valerio, Joaquim Custódio, Mauro Scharf, Cristiano Roberto Grimaldi Barcellos, Maithe Pimentel Tomarchio, Maria Elizabeth Rossi da Silva, Rosa Ferreira dos Santos, Bianca de Almeida-Pitito, Carlos Antonio Negrato, Monica Gabbay, Marcello Bertoluci | Diagnóstico de diabetes mellitus. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024). DOI: 10.29327/5412848.2024-1, ISBN: 978-65-272-0704-7. 

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