Hepatites Virais

A principal forma de transmissão da Hepatite A é o contato fecal-oral?
Verdadeiro. O vírus da hepatite A tem como principal forma de transmissão o contato fecal-oral. A transmissão está ligada a condições inadequadas de saneamento básico, higiene pessoal e pelo consumo de água e alimentos contaminados.

O diagnóstico da infecção atual é realizado com a pesquisa de anticorpos anti-HAV IgG?
Falso. O diagnóstico da infecção atual ou recente é realizado por exame de sangue, no qual se pesquisa a presença de anticorpos anti-HAV IgM que pode ser detectada antes ou no momento da manifestação dos sintomas clínicos e podem permanecer detectáveis por cerca de seis meses. É possível também fazer a pesquisa do anticorpo IgG para verificar infecção passada ou então resposta vacinal de imunidade. Após a infecção e evolução para a cura, os anticorpos produzidos produzem imunidade duradoura.

A vacina da Hepatite A encontra-se disponível apenas no calendário infantil? Falso
A vacina contra a hepatite A integra o calendário infantil, sendo administrada em dose única aos 15 meses de idade. Também é oferecida em esquema de duas doses, com intervalo mínimo de seis meses, para pessoas a partir de 1 ano pertencentes a grupos com condições clínicas especiais, como doenças hepáticas crônicas, imunossupressão, HIV, uso de PrEP e candidatos ou receptores de transplantes, entre outras indicações previstas pelo Ministério da Saúde.

A hepatite B apresenta sintomas desde o início da infecção? Falso
A hepatite B pode não apresentar sintomas nas fases iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce. Quando não tratada, especialmente em sua forma crônica, pode evoluir para complicações graves, como cirrose, insuficiência hepática e até câncer de fígado. Na maioria dos casos não apresenta sintomas e muitas vezes é diagnosticada décadas após a infecção, com sinais relacionados a outras doenças do fígado.

A hepatite B pode ser transmitida sexualmente e por contato com sangue contaminado?
Verdadeiro. A hepatite B é transmitida principalmente por contato com sangue contaminado e por via sexual. As formas mais comuns de infecção incluem relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas ou objetos perfurocortantes, transmissão vertical e procedimentos invasivos realizados sem medidas adequadas de biossegurança.

A hepatite B não é transmitida da mãe para o filho durante a gestação ou durante o parto, logo não é necessário investigar hepatite B em gestantes?
Falso. A hepatite B pode ser transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto, o que pode implicar em uma evolução desfavorável para o bebê, que apresenta maior chance de desenvolver a hepatite B crônica. Por isso, todas as gestantes devem ser testadas no pré-natal e, quando suscetíveis e sem histórico vacinal, devem receber o esquema recomendado de vacinação (3 doses).

O teste de triagem para Hepatite B é através da pesquisa do antígeno do HBV, o HbsAg?
Verdadeiro. O teste de triagem para Hepatite B é realizado através da pesquisa do antígeno do HBV (HBsAg), que pode ser feita por meio de teste laboratorial ou teste rápido. Caso o resultado seja positivo, o diagnóstico deve ser confirmado com a realização de exames complementares para pesquisa de outros marcadores, que compreende a detecção direta da carga viral (HBV-DNA).

Hepatite B não tem cura?
Verdadeiro. A hepatite B não tem cura. Entretanto, o tratamento disponibilizado no Sistema Único de Saúde (SUS) objetiva reduzir o risco de progressão da doença e suas complicações, especificamente cirrose, câncer hepático e morte.

A principal forma de prevenção da infecção pelo vírus da hepatite B é a vacina?
Verdadeiro. A vacinação é a principal forma de prevenção da hepatite B e está disponível gratuitamente no SUS para pessoas de todas as idades. O esquema varia conforme a faixa etária (em crianças: 4 doses; população adulta: 3 doses) e condições clínicas – para a população imunodeprimida, deve-se observar a necessidade de esquemas especiais com doses ajustadas, disponibilizadas nos serviços de saúde que compõem a Redes de Imunobiológicos para Pessoas em Situações Especiais (RIE).

A hepatite C não cronifica, logo não há risco de desenvolver cirrose?
Falso. A hepatite C é uma infecção causada pelo vírus HCV que, na maioria dos casos, evolui para a forma crônica de maneira silenciosa. Sem tratamento, pode levar à cirrose e aumentar significativamente o risco de carcinoma hepatocelular.

Não existe tratamento para a hepatite C e a doença é considerada incurável?
Falso. O tratamento da hepatite C é feito com os chamados antivirais de ação direta (DAA), que apresentam taxas de cura de mais 95% e são realizados, geralmente, por 12 ou 24 semanas. Os DAA revolucionaram o tratamento da hepatite C, e possibilitam a cura da infecção na maioria dos casos.

Elaboração: Kirlla Leão – Residente de Medicina de Família e Comunidade.

REFERÊNCIAS:

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hepatite B. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/hepatites/pcdt-da-hepatite-b/view

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hepatite C e Coinfecções. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/hepatites/pcdt-da-hepatite-c/view

BRASIL. Ministério da Saúde. Hepatites virais. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hepatites-virais

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