As doses habituais de insulina variam entre 0,5 a 1,5 UI/Kg, porém podem ser mais altas quando há aumento de peso progressivo ou outras causas de resistência a insulina severa. Doses diárias totais de insulina frequentemente ultrapassam 100 unidades em pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade. Portanto, não existe dose máxima de insulina, devendo ser titulada conforme monitorização glicêmica na sequência do acompanhamento médico. Doses de insulina basal > 80 unidades devem ser prescritas em doses divididas pois o maior volume injetado pode alterar a cinética da absorção. Doses mais baixas são utilizadas em pessoas com Diabetes tipo 1, especialmente na faixa etária pediátrica.
Deve-se garantir que a razão para necessidade de aumento progressivo na dose da insulina não seja a má adesão ao tratamento. As causas mais frequentes de hiperglicemia sustentada são as psicossociais, levando ao manejo inadequado da insulina, erro nas doses, horários ou técnica das aplicações. Neste aspecto, a Atenção Primária é de singular relevância em identificar as fragilidades na adequação às rotinas do tratamento, pois o olhar é ampliado para o indivíduo e o contexto em que se insere na família e domicílio.
A técnica de aplicação deve ser revista, verificando se seringas ou canetas estão sendo usadas adequadamente, se há o rodízio nos locais de aplicação e áreas de lipohipertrofia. O indivíduo deve manusear, simular ou fazer o uso da insulina sob supervisão de algum profissional da equipe de saúde. Utilizar nas consultas uma linguagem não julgadora, colaborativa e empática é essencial para abordar a possibilidade de haver omissão de doses ou descontinuidade do tratamento.
A redução da glicemia entre o momento de dormir e o acordar > 50 mg/dL, e valores pré prandiais na meta com HbA1c elevada, sugere a necessidade de introdução de insulina Regular ou ultrarrápida antes das refeições (esquema basal bolus).
O Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas no Diabetes Mellitus tipo 2 de fevereiro de 2026, orienta acompanhamento com Endocrinologista para aqueles em uso de insulina basal maior que 0,75 UI/Kg ou basal-bolus com boa adesão terapêutica e hipoglicemias frequentes. Na rede referenciada, o CEDEBA oferta Teleconsultoria Especializada para estes casos, mantendo-se o acompanhamento na Atenção Primária. Deve-se observar se existem sinais e sintomas de condições clínicas que aumentam a resistência à insulina, como acromegalia, síndrome de Cushing e lipodistrofia generalizada. Nestas situações, a Teleconsultoria deve ser realizada com intenção de encaminhamento pelo TELECEBA.
Conteudista: Roberta Lordelo Lobo – Médica Endocrinologista CRM 15693 – CEDEBA/ CODAR
Cartilha Telecedeba em: https://telessaude.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2024/02/20240216-Cartilha-Telecedeba-2a-edicao.pdf
Protocolo Diabetes Mellitus do CEDEBA em: https://telessaude.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2022/11/TeleCedeba-Diabetes-Mellitus-1-com-inclusao-da-dapaglifozina.pdf
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Diabete Melito Tipo 2 – Portaria Atualizada em 24/02/2026 em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/d/diabete-melito-tipo-2.pdf/view
Linguagem Importa! Atualização de Linguagem para Diabetes, Obesidade e outras Condições Crônicas de Saúde – Acessado em :
https://diabetes.org.br/wp-content/uploads/2022/01/Linguagem-Importa-2022.pdf