Educação em diabetes: como orientar o autocuidado da gestão de medicamentos para pessoas com diabetes?

Atualmente, o Brasil conta com 15,7 milhões de adultos, entre 20 e 70 anos, vivendo com diabetes, o que o coloca na 6ª posição no ranking global de prevalência da doença nessa faixa etária. Outro dado preocupante é o aumento dos casos anuais de diabetes tipo 1 (DM1) entre crianças e adolescentes, de 0 a 19 anos, que posiciona o Brasil no 3º lugar no ranking mundial (International Diabetes Federation – IDF, 2021).

Diabetes é uma das condições crônicas de saúde mais sérias e onerosas. Ocorre quando o corpo não produz insulina suficiente ou não consegue usar efetivamente a insulina que produz, resultando em glicotoxicidade devido ao estado hiperglicêmico persistente quando não tratado.

A educação em diabetes precisa ser valorizada como um ponto central do tratamento, pois, sem ela, é difícil alcançar um gerenciamento glicêmico eficaz. Programas estruturados e amplamente acessíveis para pessoas com diabetes devem ser incentivados por todos os profissionais da saúde.

Podemos considerar que o autocuidado é um conjunto de ações que a pessoa com diabetes precisa praticar no seu cotidiano, a fim de promover melhor qualidade de vida e bem estar. Assim, traçando cada ação com o objetivo proposto, a pessoa com diabetes assume o papel principal no seu cuidado tornando-se o protagonista do seu próprio tratamento, apoiada pela equipe de saúde que a acompanha.

Os 7 comportamentos para o autocuidado correspondem a uma ferramenta  baseada na Associação Americana de Educadores em Diabetes, que organiza os itens importantes de habilidades que a pessoa com diabetes têm para alcançar e manter o bom controle da patologia. 

Esta ferramenta compõe-se dos itens: comer saudavelmente; realizar atividade física; vigiar as taxas; tomar os medicamentos; adaptar-se saudavelmente; resolver problemas e reduzir riscos. 

Para abordar o comportamento de “tomar medicamentos”, é importante que o profissional de saúde, enquanto educador, atue positivamente no sentido de que a pessoa com diabetes e/ou a família compreenda e administre o uso dos seus medicamentos com responsabilidade. Para abordar esse comportamento, a Associação de Especialistas em Cuidados e Educação em Diabetes recomenda a listagem de conhecimentos e habilidades a seguir para o desenvolvimento deste comportamento: (1) quantidade de medicamentos a tomar, melhores horários para tomá-lo e com que frequência tomá-lo; (2) se você precisa tomá-lo com alimentos ou com o estômago vazio; (3) como o medicamento funciona e como monitorar para ver se é eficaz; (4) relatar quaisquer efeitos colaterais; (5) o que fazer se você tiver um problema (relacionado ao uso de medicamentos); (6) o que fazer se perder uma dose de medicamento ou atrasar em tomá-lo; (6) como armazenar o medicamento para que ele mantenha sua eficácia ao longo do tempo (American Association Of Diabetes Educators, 2020).

Conteudista: Maria das Graças Velanes de Faria – enfermeira (COREN-BA 39.834). Especialista em Educação em Diabetes e Saúde da Família – Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia/Coordenadora de Educação em Diabetes e Apoio à Rede.

Referências:
https://diabetes.org.br/
https://www.pimentacultural.com/livro/comportamentos-autocuidado/

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