A meditação, no contexto das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), pode ser utilizada como estratégia de autocuidado e promoção da saúde mental dos profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS). Trata-se de uma prática que envolve técnicas de atenção plena, respiração consciente e observação dos pensamentos e emoções, com o objetivo de reduzir estresse ocupacional, melhorar a concentração e favorecer o equilíbrio emocional no ambiente de trabalho.
No cotidiano da APS, marcado por alta demanda, sobrecarga e exposição contínua ao sofrimento dos usuários. Práticas breves de 5 a 10 minutos antes ou após atendimentos, ou em momentos de pausa, podem auxiliar na regulação do estresse e na melhoria da qualidade da atenção prestada.
A implementação pode ocorrer por meio de rodas de prática coletiva entre equipes, pausas guiadas durante o expediente ou acesso a áudios de meditação guiada disponibilizados pelo serviço. Não exige equipamentos complexos e pode ser adaptada à realidade dos serviços, desde que haja ambiente minimamente adequado e apoio institucional para sua incorporação na rotina de trabalho.
A meditação não substitui acompanhamento psicológico ou psiquiátrico quando necessário, mas integra o cuidado ampliado ao trabalhador, fortalecendo a Política Nacional de Humanização e a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS, ao promover saúde mental, vínculo e qualidade de vida no trabalho.

Conteudista: Luisa Larchert – Enfermeira Integrativa e Sanitarista
Teleconsultora de enfermagem – Núcleo de Telessaúde do Estado da Bahia
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS: PNPIC. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização: documento base para gestores e trabalhadores do SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.