Mês de Referência: Junho de 2026
ID: 33416
Área Temática: Saúde da Mulher
RESPOSTA:
É uma hipertrofia mamária sintomática, condição que pode cursar com cervicalgia, dorsalgia, dor em ombros, alterações posturais, limitação funcional, dificuldade para atividades físicas e impacto negativo na qualidade de vida. A presença de sintomas musculoesqueléticos persistentes, associados ao volume mamário excessivo e refratários às medidas conservadoras já realizadas, sugere que a paciente pode se beneficiar de avaliação especializada para consideração de tratamento cirúrgico.
A literatura atual considera a mamoplastia redutora uma opção terapêutica eficaz para pacientes com macromastia sintomática, promovendo melhora da dor, da capacidade funcional, da qualidade do sono, da tolerância ao exercício e da qualidade de vida global. A indicação cirúrgica deve basear-se principalmente na presença e intensidade dos sintomas, e não exclusivamente no peso estimado de tecido a ser ressecado. ¹
Dessa forma, recomenda-se encaminhamento para avaliação com cirurgia plástica, com descrição detalhada dos sintomas, das limitações funcionais e da ausência de resposta satisfatória ao tratamento conservador previamente instituído.
Contribuições para os profissionais na APS
Na Atenção Primária, é importante documentar de forma objetiva os sintomas atribuídos à hipertrofia mamária, incluindo cervicalgia, dorsalgia, dor em ombros, sulcos dolorosos provocados pelas alças do sutiã, limitações para atividades de vida diária, dificuldades para prática de exercícios físicos e repercussões psicossociais. A avaliação deve incluir exame físico completo, cálculo do IMC, análise postural e investigação de diagnósticos diferenciais para a dor musculoesquelética. ¹
Enquanto aguarda avaliação especializada, podem ser mantidas medidas conservadoras, como orientações posturais, fortalecimento muscular supervisionado, controle ponderal quando indicado, fisioterapia e manejo farmacológico da dor conforme necessidade clínica. Contudo, a persistência dos sintomas apesar dessas intervenções reforça a pertinência da avaliação cirúrgica. ¹
De acordo com a Carteira de Serviços da Atenção Primária à Saúde, a APS é responsável pela avaliação clínica inicial, identificação de condições que impactam funcionalidade e qualidade de vida, manejo sintomático, acompanhamento longitudinal e coordenação do cuidado na Rede de Atenção à Saúde. Nessa perspectiva, cabe à equipe reconhecer quando os sintomas decorrentes da hipertrofia mamária ultrapassam a capacidade resolutiva das medidas conservadoras e justificam encaminhamento especializado.
O encaminhamento deve conter descrição dos sintomas, duração do quadro, tratamentos já realizados, limitações funcionais observadas e repercussões ocupacionais, sociais e psicológicas. Essas informações auxiliam a adequada estratificação do caso pelos serviços especializados e contribuem para a continuidade do cuidado. Além disso, a APS mantém papel fundamental no seguimento longitudinal da paciente, no manejo das comorbidades associadas e no acompanhamento pré e pós-operatório quando houver indicação cirúrgica.
Referências:
1.Dassoulas KR, Martinez RA, DeGeorge K, van Zuuren EJ. Breast reduction. DynaMed [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services; 2025 [citado 2026 jun 9]. Disponível em:
2.American Society of Plastic Surgeons. Evidence-based clinical practice guideline: reduction mammaplasty. Plast Reconstr Surg. 2022;149(3):392e-409e.
Codificação
CID-10
N62 – Hipertrofia da mama
CIAP-2
X – 21Sinais/sintomas da mama feminina, outros