(Competência Junho/2026) Qual a conduta e quais os critérios de encaminhamento para Urologia diante de um paciente idoso com hiperplasia prostática benigna (HPB), aumento do volume prostático e resíduo pós-miccional elevado, identificados em exame de imagem?

Mês de Referência: Junho de 2026

ID: 33483

Área Temática: Saúde do Homem — Urologia

 

RESPOSTA:

O encaminhamento ambulatorial para avaliação pela Urologia está indicado nos pacientes com hiperplasia prostática benigna (HPB) que apresentem uma ou mais das seguintes condições: sintomas do trato urinário inferior (STUI) persistentes apesar de tratamento clínico otimizado; retenção urinária crônica; episódio de retenção urinária aguda, mesmo durante tratamento otimizado, após avaliação em serviço de urgência; infecções do trato urinário de repetição; litíase vesical; ou presença de doença neurológica ou antecedente de cirurgia/radioterapia pélvica ou prostática, pela maior complexidade de avaliação e manejo (1).
Considera-se tratamento clínico otimizado o uso de alfa-bloqueador em dose terapêutica (ex.: doxazosina 2 a 8 mg/dia) por, no mínimo, 30 dias e, nos casos com volume prostático superior a 40 g ou PSA total acima de 1,4 ng/mL, uso concomitante de inibidor da 5-alfa-redutase (finasterida 5 mg/dia) por, pelo menos, seis meses (1).
O tratamento medicamentoso está indicado para indivíduos com STUI que, mesmo leves, causem impacto na qualidade de vida, bem como para aqueles com sintomas moderados a graves (I-PSS ≥ 8), devendo a terapia ser individualizada conforme a intensidade dos sintomas urinários e o volume prostático (1).

Fundamentação Teórica:

Critérios de encaminhamento para Urologia:
• STUI persistentes apesar de alfa-bloqueador em dose terapêutica por, no mínimo, 30 dias — associado a inibidor da 5-alfa-redutase por ao menos 6 meses quando volume > 40 g ou PSA total > 1,4 ng/mL (1);
• Retenção urinária crônica (1);
• Episódio de retenção urinária aguda, mesmo em vigência de tratamento otimizado, após avaliação em serviço de urgência (1);
• Infecções do trato urinário de repetição (1);
• Litíase vesical (1);
• Doença neurológica associada ou antecedente de cirurgia/radioterapia pélvica ou prostática (1).
Indicação e escolha do tratamento medicamentoso:
• Indicado para STUI leve com impacto na qualidade de vida, ou STUI moderado a grave (I-PSS ≥ 8) (1);
• Alfa-bloqueador (ex.: doxazosina 2–8 mg/dia) como primeira linha (1);
• Associação de inibidor da 5-alfa-redutase (finasterida 5 mg/dia, por pelo menos 6 meses) quando volume prostático > 40 g ou PSA total > 1,4 ng/mL (1);
• Escolha terapêutica individualizada, considerando intensidade dos sintomas (I-PSS) e volume prostático (1).

O Ministério da Saúde orienta que pessoas ≥60 anos não vacinadas podem ser vacinadas quando residirem ou forem se deslocar para áreas com recomendação de vacina, preferencialmente pelo menos 10 dias antes da viagem. A idade é considerada uma precaução, e não contraindicação absoluta.¹ 

Orientações Práticas para a APS: 

Recomenda-se completar a avaliação com a aplicação do questionário I-PSS para quantificar objetivamente o impacto dos sintomas na qualidade de vida antes de decidir sobre início de tratamento farmacológico ou necessidade de encaminhamento.
O resíduo pós-miccional elevado, embora não conste isoladamente como critério de encaminhamento na referência utilizada, é um achado que reforça a necessidade de seguimento clínico próximo, dado o risco de progressão para retenção urinária.
Quanto ao PSA, o Ministério da Saúde considera haver evidência adequada de que o rastreamento populacional do câncer de próstata não é eficaz e de que os danos podem superar os benefícios (2).
Isso não invalida que a solicitação PSA seja feita. aqui sendo usado como parte da investigação de um possível achado de imagem (próstata aumentada, resíduo pós-miccional elevado), e não como rastreamento oportunístico isolado —, mas reforça a importância de discutir com o paciente os possíveis desdobramentos do resultado, especialmente caso o valor venha alterado sem outro achado que justifique a investigação.
Por fim, cabe à equipe de APS manter a coordenação do cuidado desse paciente, integrando o manejo da HPB às demais condições crônicas (HAS, DM, dislipidemia). O Ministério da Saúde/INCA, em nota técnica de 2025 sobre parâmetros de programação para o diagnóstico precoce do câncer de próstata, reforça essa lógica de organização em rede: a via de acesso ao especialista passa pela investigação inicial na APS, com encaminhamento para avaliação urológica quando os critérios definidos forem preenchidos — o que se aplica igualmente ao manejo da HPB (3).

Codificação:

Y85 — Hipertrofia benigna da próstata

CID: N40 — Hiperplasia da próstata

Referências:

1. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia, TelessaúdeRS-UFRGS; Rio Grande do Sul, Secretaria Estadual da Saúde. Como realizar o manejo de pacientes com hiperplasia prostática benigna (HPB) na APS? Porto Alegre: TelessaúdeRS; 19 set. 2025. Disponível em:
https://telessauders.ufrgs.br/perguntas/como-realizar-o-manejo-de-pacientes-com-hiperplasia-prostatica-benigna-hpb-na-aps. Acesso em: 16 set. 2026.

2.Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Coordenação de Atenção à Saúde do Homem. Nota Técnica nº 9/2023-COSAH/CGACI/DGCI/SAPS/MS: Recomendação pelo não rastreamento populacional do câncer de próstata. Brasília: Ministério da Saúde; 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2023/nota-tecnica-no-9-2023.pdf. Acesso em: 16 set. 2026.

3. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Parâmetros de programação para o diagnóstico precoce do câncer de próstata: nota técnica. Rio de Janeiro: INCA; 2025. Disponível em: https://ninho.inca.gov.br/jspui/bitstream/123456789/17543/4/Nota%20t%C3%A9cnica%20C%C3%A2ncer%20de%20Pr%C3%B3stata%20-%202025.docx.pdf. Acesso em: 16 set. 2026.

 

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