Mês de Referência: Janeiro de 2026
ID: 20892
Área Temática: Cuidados primários / Saúde da Mulher
RESPOSTA:
A conduta imediata para gestantes com diagnóstico laboratorial de disfunção tireoidiana (como TSH elevado) é o início do tratamento com levotiroxina na própria Atenção Primária à Saúde (APS). O encaminhamento para o pré-natal de alto risco (PAISM) é indicado para seguimento compartilhado, mas não deve retardar o início do tratamento. Para casos de TSH ≥ 10 mUI/L, recomenda-se iniciar a dose plena de 1,6 µg/kg/dia. Na prática diária da APS, iniciar o tratamento com 50 a 75 µg/dia é seguro, com reajustes baseados no controle laboratorial.
Fundamentação Teórica
O hipotireoidismo na gestação (inclusive em sua forma subclínica) exige atenção prioritária e manejo oportuno devido aos riscos perinatais e maternos associados.
- Critério Diagnóstico na Gestação: O hipotireoidismo subclínico é definido pelo TSH acima do limite de normalidade para o respectivo trimestre gestacional, com o T4 livre dentro da faixa de referência. No segundo trimestre, considera-se o limite superior de normalidade do TSH como 3,0 mUI/L.
- Indicação de Tratamento: Segundo o Manual de Gestação de Alto Risco e os protocolos vigentes, a reposição hormonal é recomendada para TSH ≥ 4,0 mUI/L e se torna mandatória para valores de TSH ≥ 10 mUI/L (como no caso em questão, que apresenta TSH de 15,65 mUI/L) ou diante da presença de anticorpos antitireoidianos positivos.
Orientações Práticas para a APS
O manejo inicial na unidade básica deve seguir as diretrizes abaixo enquanto a paciente aguarda a consulta na atenção especializada:
- Posologia Inicial:
- Para TSH < 10 mUI/L: Iniciar 50 µg/dia (podendo considerar 75 µg/dia em pacientes com maior peso).
- Para TSH ≥ 10 mUI/L: Iniciar dose plena calculada em cerca de 1,6 µg/kg/dia. Na rotina da APS, começar com 50 µg/dia é considerado um passo seguro inicial.
- Modo de Administração: A levotiroxina deve ser administrada rigorosamente em jejum, de 30 a 60 minutos antes do café da manhã. É fundamental orientar a gestante a evitar o uso concomitante da medicação com suplementos de ferro, cálcio ou polivitamínicos, pois interferem na absorção do hormônio.
- Monitoramento e Metas: Solicitar reavaliação laboratorial do TSH em 4 a 6 semanas após o início ou ajuste da dose. A meta terapêutica para o segundo trimestre é manter o TSH ≤ 3,0 mUI/L.
Codificação
- CID-10: E03 (Outros hipotireoidismos)
- CIAP-2: T34 (Análise de sangue)
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Manual técnico: gestação de alto risco [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_gestacao_alto_risco.pdf
- Estado da Bahia. Secretaria da Saúde. Núcleo Técnico-Científico de Telessaúde; Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia – CEDEBA. Protocolo hipotireoidismo [Internet]. Salvador (BA): Telessaúde Bahia; 2020. Disponível em: https://telessaude.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2022/04/TeleCedeba-Hipotireoidismo.pdf
- DynaMed. Hypothyroidism in pregnancy [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services; atualização contínua.