Mês de Referência: Abril de 2026
ID: 28135
Resposta:
O manejo da hepatite B exige compreensão do papel estratégico da atenção primária à saúde (APS) na coordenação do cuidado, desde o diagnóstico até o seguimento longitudinal. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Hepatite B e Coinfecções reconhece a elastografia hepática como método não invasivo útil na avaliação da fibrose, com pontos de corte definidos para hepatite B, sendo um instrumento relevante na estratificação da gravidade da doença (1). No entanto, sua indicação deve ser compreendida dentro da organização da rede de atenção, não sendo obrigatória na abordagem inicial na APS, que deve priorizar a confirmação diagnóstica, avaliação clínica, dosagem de transaminases e carga viral. Cabe aos profissionais da APS garantir o acompanhamento regular, a notificação, o rastreamento e a vacinação de contatos, além do encaminhamento oportuno para atenção especializada, onde exames como a elastografia se inserem de forma mais estruturada na definição terapêutica. Essa compreensão evita atrasos no cuidado e reduz a dependência de exames não disponíveis em todos os territórios, mantendo a resolutividade da atenção primária (1).
Fundamentação Teórica:
De acordo com o PCDT do Ministério da Saúde, a infecção crônica pelo HBV é definida pela persistência do HBsAg por período igual ou superior a seis meses, sobretudo na ausência de IgM reagente, o que afasta infecção aguda (1). Um paciente que apresente perfil sorológico com HBeAg não reagente e anti-HBe reagente, associado a níveis normais de transaminases, pode corresponder à fase de infecção crônica com baixa replicação viral, anteriormente denominada “portador inativo”. Essa fase caracteriza-se por bom prognóstico em indivíduos não cirróticos, mas exige acompanhamento clínico regular, pois pode haver reativação viral ao longo do tempo. Ressalta-se que a definição adequada dessa fase depende da dosagem do HBV-DNA, exame fundamental para avaliar o nível de replicação viral e orientar condutas subsequentes (1).
Orientações Práticas para a APS:
Manejo na APS – A APS tem papel central no diagnóstico, acolhimento, notificação, aconselhamento e seguimento das pessoas vivendo com hepatite B, além de ser responsável por iniciar a investigação clínica e laboratorial, incluindo a avaliação de transaminases, rastreamento de coinfecções e testagem de contatos domiciliares e sexuais (1). A solicitação de ultrassonografia de abdome e o acompanhamento seriado de enzimas hepáticas são condutas pertinentes, pois permitem monitorar possíveis alterações estruturais e atividade inflamatória hepática ao longo do tempo.
Codificação:
- R932 – Achados anormais de exames para diagnóstico por imagem do fígado e das vias biliares
- A – 43 Outros procedimentos diagnósticos
Referências:
Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Hepatite B e Coinfecções. Brasília: Ministério da Saúde; 2023.