Como interpretar os resultados de testes para sífilis em gestantes?

A transmissão vertical da sífilis ocorre quando a infecção é transmitida ao feto por meio da placenta durante a gestação, especialmente se a gestante portadora da doença não receber tratamento adequado ou se o tratamento for realizado de forma inadequada. A transmissão transplacentária pode ocorrer em qualquer momento da gestação, e o risco de acometimento fetal varia de 70% a 100%, dependendo da fase da infecção na gestante e do trimestre gestacional. Portanto, é imperativo que os profissionais de saúde responsáveis pelo acompanhamento pré-natal saibam diagnosticar a doença, possibilitando a realização do tratamento adequado e prevenindo novos casos de sífilis congênita.

Atualmente, recomenda-se que a testagem seja realizada em dois momentos durante o acompanhamento pré-natal: na primeira consulta (preferencialmente no primeiro trimestre da gestação) e no início do terceiro trimestre (por volta da 28ª semana). Além disso, é obrigatória a testagem logo após a internação para o parto na maternidade.

Os testes amplamente utilizados no Brasil são os imunológicos, divididos em treponêmicos e não-treponêmicos. A investigação deve começar com o teste treponêmico, preferencialmente o teste rápido (ou o teste treponêmico laboratorial, se o resultado for obtido em até 14 dias), sendo complementada pelo teste não-treponêmico, como o VDRL.

A interpretação dos resultados sequenciais e as respectivas condutas sugeridas são as seguintes:

Primeiro teste+Teste complementarPossíveis InterpretaçõesConduta
TR reagente








+
VDRL reagente Diagnóstico de sífilis ou Cicatriz sorológica (se tratamento anterior documentado com queda da titulação em pelo menos duas diluições). Quando sífilis, tratar, realizar monitoramento com teste não treponêmico e avaliar critério de notificação de sífilis. Quando confirmado caso de cicatriz sorológica, apenas orientar. 
TR reagenteVDRL não reagenteRealiza-se um terceiro teste treponêmico com metodologia diferente do primeiro: › Se reagente: diagnóstico de sífilis ou cicatriz sorológica; › Se não reagente: considera-se resultado falso reagente para o primeiro teste, sendo excluído o diagnóstico de sífilis. Se o terceiro teste treponêmico não estiver disponível, avaliar exposição de risco, sinais e sintomas e histórico de tratamento para definição de conduta. Quando sífilis, tratar, realizar monitoramento com teste não treponêmico e avaliar critério de notificação de sífilis. Quando confirmado caso de cicatriz sorológica, apenas orientar. Para os casos concluídos como ausência de sífilis, apenas orientar.
TR não reagenteVDRL não reagenteAusência de infecção ou período de incubação (janela imunológica) de sífilis recenteSe suspeita clínica ou epidemiológica solicitar novo teste em 30 dias e repetir sorologias no 3º trimestre.
TR não reagente VDRL reagenteRealiza-se um terceiro teste treponêmico com metodologia diferente do primeiro. › Se reagente: diagnóstico de sífilis ou cicatriz sorológica. › Se não reagente: considera-se resultado falso reagente para o primeiro teste, sendo excluído o diagnóstico de sífilis. Se o terceiro teste treponêmico não estiver disponível, avaliar exposição de risco, sinais e sintomas e histórico de tratamento para definição de conduta. Quando sífilis, tratar, realizar monitoramento com teste não treponêmico e avaliar critério de notificação de sífilis. Quando confirmado caso de cicatriz sorológica, apenas orientar. Para os casos concluídos como ausência de sífilis, apenas orientar.
Diante de qualquer resultado positivo Diagnóstico provável de sífilis, falso positivo, infecção recente ou cicatriz sorológicaIniciar o tratamento para sífilis enquanto aguarda a definição. 

Fonte: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para prevenção da transmissão vertical de HIV, Sífilis e Hepatites Virais. MINISTÉRIO DA SAÚDE, BRASIL, 2022, p. 147-148. 

Conteudista:

Isadora Vicência Lúcio – R2 Medicina de Família e Comunidade FESF-SUS (CRM/BA 41531)

Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical do HIV, Sífilis e Hepatites Virais [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em:  http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_clinico_hiv_sifilis_hepatites.pdf Acesso em 26 de dezembro de 2024. 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Manual técnico para o diagnóstico da sífilis [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Brasília : Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_tecnico_diagnostico_sifilis_1ed.pdf. Acesso em 26 de dezembro de 2024.

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