Como devem ser avaliados os riscos de fratura em idosos com diabetes?

Atualmente, além da densidade mineral óssea (DMO), outros fatores de risco são considerados. A ocorrência de fratura vertebral ou de fêmur sem trauma em pessoas com mais de 65 anos é suficiente para definir osteoporose, independentemente da DMO, e está associada a uma maior chance de novas fraturas.

O risco de fratura em indivíduos com diabetes é aproximadamente 30% maior, em parte devido à hiperglicemia sustentada. Além disso, hipoglicemias frequentes ou graves aumentam a probabilidade de quedas.

Estima-se que 20% das pessoas que sofrem uma fratura de fêmur não sobrevivem após um ano, e 60% não recuperam sua funcionalidade. Entre os pacientes diabéticos, o risco de mortalidade e o tempo de recuperação parecem ser ainda maiores.

Curiosamente, a DMO em pessoas com diabetes é de 5 a 10% maior em comparação à população geral. Um T-score < -2,0 pode ser interpretado como equivalente a um T-score < -2,5 em indivíduos sem diabetes. Em estudos observacionais, pessoas com diabetes, apresentando o mesmo valor de índice FRAX, demonstraram maior risco de fratura.

Recomenda-se, portanto, uma ingesta adequada de cálcio, seja por meio da dieta ou de suplementação, e manter os níveis de vitamina D acima de 30 ng/dL nesta população. Sempre que possível, deve-se evitar o uso de pioglitazona, insulina e sulfoniureia em pessoas com diabetes e alto risco de fratura. É aconselhável priorizar hipoglicemiantes com menor risco de hipoglicemia e ajustar a meta de HbA1c para um nível mais alto, se necessário. Além disso, considerar o início de tratamento com antirreabsortivos quando a DMO for inferior a -2,0 ou na presença de história pessoal de fratura.

Conteudista:  Roberta Lordelo Lobo – Médica Endocrinologista CRM 15693 – atua na CODAR/CEDEBA

Referência: Comprehensive Medical Evaluation and Assessment of Comorbidities: Standards of Care in Diabetes—2024 Diabetes Care 2024;47(Supplement_1):S52–S76

COMPARTILHE
Chat