Como deve-se acompanhar a doença hepática gordurosa metabólica (DHGM) em pessoas com diabetes tipo 2 ou pré-diabetes?

 A doença hepática gordurosa metabólica (DHGM) consiste na manifestação hepática da síndrome metabólica. A diabetes tipo 2 e DHGM são preditores independentes de risco cardiovascular, sendo que o DHGM aumenta em 36% o risco para eventos cardiovasculares fatais e não fatais. Desta forma, na vigência de DHGM, os diversos fatores de risco devem ser cuidadosamente controlados.

Diabetes e pré-diabetes associam-se à maior chance de progressão de fibrose. Por conta disso, na atualização de 2024 da Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, recomenda-se que o cálculo do FIB-4 seja feito no acompanhamento de pessoas com DHGM, independentemente de haver imagem de ultrassom sugestiva de esteatose ou transaminases elevadas. O FIB 4 é um score que prediz risco de fibrose avançada.  No seu cálculo, além da idade, são utilizados três parâmetros laboratoriais: AST (aspartato aminotransferase), ALT (alanina aminotransferase) e contagem de plaquetas. A calculadora encontra-se disponível através do link: https://www.hepatitisc.uw.edu/page/clinical-calculators/fib-4. Pessoas com FIB 4 < 1,3 são classificadas com risco baixo; entre 1,3 e 2,6 risco intermediário e > 2,6 risco alto. Havendo disponibilidade, pessoas com FIB 4 > 1,3 podem ter avaliação adicional pelo exame de elastrografia transitória e acompanhamento especializado.

A modificação de estilo de vida com foco na redução ponderal > 5% deve ser recomendada. Os melhores resultados podem ser alcançados com abordagem multidisciplinar. Com perda de peso > 10% há melhora do quadro histológico de esteato-hepatite e fibrose. Quando a modificação de estilo de vida for insuficiente para alcançar a redução ponderal, pode-se associar medidas farmacológicas.

Dentre os hipoglicemiantes orais, a pioglitazona apresenta efeitos mais evidentes na redução de gordura, alterações inflamatórias e fibrose.

Em resumo, o manejo mais efetivo para reduzir a evolução desfavorável de doença hepática e cardiovascular na DHGM consiste em buscar melhora hábitos alimentares e de exercícios físicos de forma sustentada, a fim de alcançar redução de peso. Novos cálculos posteriores de FIB 4 devem ser feitos periodicamente em pessoas com risco baixo na avaliação inicial.

Conteudista: Roberta Lordelo Lobo – Médica Endocrinologista CRM 15693. Atua na CODAR/ CEDEBA.

Referências:

Silva Júnior WS, Valério CM, Araujo-Neto JM, Godoy-Matos AF, Bertoluci M. Doença hepática esteatótica metabólica (DHEM). Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024).

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