Como a educação em diabetes fortalece o autocuidado, melhora os resultados clínicos?

A educação em diabetes configura-se como uma das principais estratégias para a promoção do autocuidado e do autocontrole por parte da pessoa com diabetes. Sua efetividade está diretamente relacionada à capacidade de produzir mudanças comportamentais sustentáveis e à aquisição de competências que favoreçam a autonomia no manejo da condição crônica. Quando limitada à simples transmissão de informações, sem promover reflexão ou engajamento ativo do indivíduo, a educação perde seu potencial transformador.

Os principais objetivos da educação em diabetes incluem: – reduzir barreiras existentes entre pessoas com diabetes, seus familiares, comunidades e profissionais de saúde; – capacitar o indivíduo para o autocuidado; – melhorar os resultados clínicos; – prevenir ou retardar o aparecimento de complicações agudas e crônicas; e promover qualidade de vida.

Para o alcance desses objetivos, é fundamental a atuação de profissionais e equipes multiprofissionais devidamente qualificadas, capazes de capacitar e motivar o indivíduo a realizar escolhas adequadas diante das diferentes situações do cotidiano. Esse processo visa ao desenvolvimento de comportamentos de autocuidado e à resolução de problemas comuns relacionados ao manejo da crônica.

A prática educativa deve basear-se em uma abordagem dialógica e centrada na pessoa, na qual o educador não impõe conceitos ou rotinas, mas escuta ativamente o educando, construindo conjuntamente estratégias para a adoção de hábitos saudáveis, a realização de cuidados básicos e o estabelecimento de condutas terapêuticas. Essa abordagem favorece o despertar do interesse pelo conhecimento acerca da própria condição de saúde, reforçando a compreensão de que o saber é um elemento essencial para o autocuidado, a prevenção de complicações e a promoção da longevidade com qualidade de vida.

As ações educativas podem ser desenvolvidas por meio de atendimentos individuais e atividades em pequenos grupos, abordando temas específicos como plano alimentar, prática de atividade física adequada, estratégias de autocuidado para redução de fatores de risco, técnicas motivacionais e convivência com o diabetes. A utilização de metodologias participativas que estimulem a exposição de dúvidas contribui para a desconstrução de mitos e preconceitos, possibilitando a abordagem clara e abrangente dos diversos aspectos relacionados à doença. Programas educativos podem iniciar-se com conteúdos básicos e, progressivamente, ser aprofundados conforme as necessidades identificadas.

A abordagem educativa deve ter como finalidade integrar o diabetes à vida da pessoa, de modo que a condição não seja percebida como elemento ameaçador. Evidências científicas demonstram que a participação em grupos educativos está associada a mudanças significativas no estilo de vida, contribuindo para a promoção da saúde e do bem-estar. A dificuldade de adaptação ao diabetes, frequentemente observada, está relacionada à baixa motivação e ao desconhecimento acerca das possíveis complicações.

 

Embora mudanças no estilo de vida representem um desafio, muitos hábitos podem ser modificados por meio de estímulo contínuo e acompanhamento interdisciplinar.

As dinâmicas de grupo constituem importante recurso pedagógico na educação em diabetes, pois favorecem a interação, valorizam o compartilhamento de experiências e promovem um processo educativo integrador. A atuação da equipe multidisciplinar no processo ensino-aprendizagem fortalece a socialização, amplia a troca de saberes e contribui para o aumento do conhecimento e da consciência do indivíduo em relação à própria condição de saúde.

O atendimento individual, por sua vez, apresenta elevada efetividade na promoção de mudanças comportamentais, uma vez que possibilita a compreensão das necessidades, expectativas, hábitos de vida e práticas de autocuidado de cada pessoa. As orientações devem ser personalizadas e respeitar a autonomia da pessoa com diabetes, reconhecendo que o papel do educador vai além da transmissão de conhecimentos, devendo criar condições para que o indivíduo estabeleça seus próprios objetivos.

Dessa forma, a educação em diabetes pode ser compreendida como um processo contínuo relacionado às condições de vida e saúde, capaz de promover melhorias na qualidade de vida e gerar mudanças em níveis individuais, coletivos e institucionais. Trata-se de um investimento estratégico de longo prazo, considerando que os custos assistenciais e os impactos sociais decorrentes das complicações do diabetes são elevados.

Elaboração: Maria das Graças Velanes de Faria – Enfermeira (COREN-Ba

39.834); Especialista em Educação em Diabetes e Saúde da Família.

Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia / Coordenadora de Educação

em Diabetes e Apoio à Rede.

 

Referências:

Diretrizes Sociedade Brasileira em Diabetes Acessado e disponível em 12 janeiro https://profissional.diabetes.org.br/

 

Pagano AS. A linguagem na construção das práticas educativas nas Ciências da Saúde. In: Torres HC, Reis IA, Pagano AS. Empoderamento do pesquisador nas ciências da saúde. Belo Horizonte: FALE/UFMG; 2015. p.19-36.

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