Atrofia muscular espinhal

A Atrofia Muscular Espinhal (AME) é uma doença genética rara que causa fraqueza muscular progressiva e pode comprometer funções essenciais, como respirar, alimentar-se e se movimentar. Com os avanços terapêuticos, o diagnóstico precoce tornou-se fundamental para melhorar os resultados clínicos e a qualidade de vida das pessoas afetadas. Nesse cenário, a Atenção Primária à Saúde tem papel estratégico na identificação dos sinais de alerta, no encaminhamento oportuno e no acompanhamento contínuo dos pacientes e suas famílias. Reconhecer precocemente alterações do desenvolvimento motor pode fazer toda a diferença no prognóstico e na autonomia das pessoas com AME. 

O que é Atrofia Muscular Espinhal? 

A Atrofia Muscular Espinhal (AME) é uma doença genética rara que afeta os neurônios motores, comprometendo os movimentos voluntários. Geralmente é causada por alterações no gene SMN1, levando à perda progressiva da força muscular e à atrofia dos músculos. Os sintomas variam em gravidade e podem incluir hipotonia, dificuldades motoras, respiratórias e de deglutição. 

Fatores de risco 

O principal fator de risco para a AME é a herança de alterações no gene SMN1 de ambos os pais. Histórico familiar de AME ou doenças neuromusculares e consanguinidade aumentam a probabilidade da doença. Como os pais portadores geralmente são assintomáticos, o risco pode passar despercebido. Fatores ambientais não estão associados ao desenvolvimento da AME. 

Sinais e sintomas  

Fique atento aos sinais e sintomas a serem observados no atendimento ao paciente: 

Sinais e Sintomas de alerta para Atrofia Muscular Espinhal 

• Fraqueza muscular progressiva 
• Hipotonia (“bebê molinho”) 
• Atraso no desenvolvimento motor 
• Dificuldade para sustentar a cabeça, sentar ou andar 
• Dificuldade para engolir ou se alimentar 
• Alterações respiratórias frequentes 

Importante: Regressão de marcos do desenvolvimento motor (perda de habilidades já adquiridas) deve sempre motivar investigação e encaminhamento prioritário para avaliação especializada. Caso apresente os sintomas detalhados acima é importante sempre referenciar para o especialista. 

Medidas de prevenção e rastreamento 

  • Aconselhamento genético para casais com histórico familiar de AME. 

  • Teste de portador (triagem genética) para identificar indivíduos que carregam mutações no gene SMN1. 

  • Planejamento reprodutivo para casais sabidamente portadores. 

Diagnóstico 

  • Avaliação clínica 

  • História familiar: investigação de casos de AME ou outras doenças neuromusculares na família. 

  • Teste genético molecular: principal método diagnóstico, realizado para detectar deleções ou mutações no gene SMN1, confirmando a doença. 

  • Triagem neonatal (teste do pezinho): Permite identificar recém-nascidos com AME antes do aparecimento dos sintomas. 

  • Eletroneuromiografia (ENMG): demonstrando comprometimento dos neurônios motores. 

  • Dosagem de creatinoquinase (CK): utilizada como exame complementar e para diagnóstico diferencial. 

  • Avaliação neurológica especializada: definir a gravidade e planejar o tratamento 

Tratamento 

  • Terapias modificadoras da doença: medicamentos que aumentam a produção da proteína SMN, retardando a progressão da doença e melhorando a função motora quando iniciados precocemente. 

  • Terapia gênica: indicada para casos selecionados, com o objetivo de fornecer uma cópia funcional do gene SMN1. 

  • Fisioterapia motora: auxilia na manutenção da força muscular, mobilidade, amplitude de movimento e prevenção de contraturas. 

  • Fisioterapia respiratória: importante para melhorar a eliminação de secreções, prevenir infecções respiratórias e preservar a função pulmonar. 

  • Acompanhamento nutricional: fundamental para garantir crescimento adequado, prevenir desnutrição e manejar dificuldades de alimentação e deglutição. 

  • Fonoaudiologia: auxilia no manejo dos distúrbios de sucção, mastigação, deglutição e comunicação. 

  • Cuidados ortopédicos: monitoramento e tratamento de escoliose, deformidades posturais e contraturas articulares. 

  • Acompanhamento multiprofissional contínuo: envolvendo neurologia, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, psicologia, terapia ocupacional e atenção primária à saúde. 

Como encaminhar na suspeita de AME 

Casos suspeitos de Atrofia Muscular Espinhal (AME) devem ser encaminhados ao TeleRARAS por meio da plataforma do Telessaúde Bahia, com o registro das informações clínicas pertinentes. Após análise, a equipe especializada orientará a investigação diagnóstica, a condução do caso e, quando necessário, o encaminhamento ao serviço de referência. 

Referências: 

  • Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Atrofia Muscular Espinhal 5q (AME 5q). Brasília: Ministério da Saúde, atualizado periodicamente. 

  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Documentos Científicos e Guias de Orientação sobre Atrofia Muscular Espinhal e Doenças Neuromusculares na Infância

  • World Health Organization. Classificação e informações sobre doenças genéticas raras e neuromusculares. 

  • Mercuri E, Finkel RS, Muntoni F, Wirth B, Montes J, Main M, et al. Diagnosis and management of spinal muscular atrophy: Part 1 – Recommendations for diagnosis, rehabilitation, orthopedic and nutritional care. Neuromuscular Disorders. 2018;28(2):103-115. 

  • Mercuri E, Finkel RS, Muntoni F, Wirth B, Montes J, Main M, et al. Diagnosis and management of spinal muscular atrophy: Part 2 – Pulmonary and acute care; medications, supplements and immunizations; other organ systems; and ethics. Neuromuscular Disorders. 2018;28(3):197-207. 

  • GeneReviews. Prior TW, Leach ME, Finanger E. Spinal Muscular Atrophy. GeneReviews® [Internet]. Seattle: University of Washington. 

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