A disfunção Erétil (DE) é definida pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) como a incapacidade persistente de obter ou manter uma ereção peniana firme o suficiente para permitir uma relação sexual satisfatória.
Inicialmente a DE é avaliada pelo método clínico, mas existem instrumentos avaliativos multidimensionais, sendo o Índice Internacional de Função Erétil (IIEF – International Index of Erectile Function) – considerado o padrão-ouro. O IIEF-5, composto de cinco perguntas, demostrou ser uma ferramenta eficaz, sensível e mais objetiva que sua versão original, agrupadas em cinco domínios: função erétil, orgasmo, desejo sexual, satisfação sexual e satisfação geral. A presença de DE torna-se relevante, quando associada, especialmente, a fatores principais: 1- causa elevado impacto na qualidade de vida do homem e do casal; 2- está associada a outras comorbidades que colocam em risco a vida do homem.
A disfunção erétil (DE) em homens diabéticos é um importante preditor e um sinal de alerta precoce para eventos cardiovasculares (ECV) futuros. A DE e a doença cardiovascular (DCV) compartilham os mesmos fatores de risco e mecanismos fisiopatológicos, como a disfunção endotelial e a aterosclerose.
Os fatores de risco comuns incluem, além do diabetes mellitus (DM), idade, dislipidemia, hipertensão, doença cardiovascular, obesidade, síndrome metabólica (SM), falta de exercícios físicos e tabagismo. Os fatores vasculogênicos são os mais comuns e decorrem tanto de distúrbios do fluxo arterial quanto do fluxo venoso. Outros fatores incluem baixos níveis de testosterona, fatores neurogênicos, iatrogênicos (relacionados a tratamento médico ou cirúrgico) e componente psicológico.
O quadro clínico de homens com DM não pode ser considerado completo sem uma avaliação andrológica cuidadosa, visto que os sintomas de DE também oferecem uma excelente oportunidade para o diagnóstico precoce e melhor manejo das complicações do DM.
Devido a essa forte associação, a presença de disfunção erétil em um homem, especialmente se for diabético, exige uma avaliação médica abrangente da saúde cardiovascular:
ü Investigar a presença de outros fatores de risco cardiovascular.
ü Encaminhar o paciente para um cardiologista para uma avaliação mais aprofundada das artérias coronárias.
ü Enfatizar a importância do controle rigoroso da glicemia, pressão arterial e colesterol, além de promover um estilo de vida saudável (como: dieta, exercícios e cessação do tabagismo) para reduzir o risco de eventos futuros.
Em resumo, a disfunção erétil em diabéticos não deve ser vista apenas como um problema sexual isolado, mas sim como um alerta crucial de que a saúde cardiovascular está comprometida e que medidas preventivas ou de tratamento precisam ser intensificadas.
Texto compilado por: Débora Angeli Cremeb 9582 – RQE 9857 Endocrinologista CEDEBA
Referências Bibliográficas
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