Reposição hormonal é indicada para mulheres com diabetes na menopausa?

A terapia de reposição hormonal (TRH) continua sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas da menopausa. Contudo, as decisões são complexas, exigindo uma avaliação dos benefícios e riscos; da determinação do melhor tipo de tratamento; da dose e duração do tratamento. Os benefícios da TRH excedem os riscos para mulheres sintomáticas, que são geralmente saudáveis ​​e sem contraindicações à TRH, se iniciada com menos de 60 anos ou dentro de 10 anos desde a menopausa.

Desta forma, idade e tempo (desde a menopausa e o início da TRH) é importante, já que um aumento do risco cardiovascular parece estar associado a mulheres na pós-menopausa (com mais de 60 anos) ou aquelas que estão com mais de 10 anos após a menopausa, levando ao desenvolvimento de uma “hipótese de tempo” ou “janela de oportunidade” para início da TRH, quando indicada.

– Prevenção de diabetes com uso de TRH

Estudos sugerem que a TRH reduziria a incidência e retardaria o aparecimento de diabetes tipo 2 em mulheres na pós-menopausa, mas os mecanismos permanecem obscuros. Na época da menopausa, a deficiência de 17b-estradiol parece aumentar o risco de diabetes tipo 2. A maioria dos estudos de longo prazo sugere que a TRH na menopausa aumenta a massa corporal magra e reduz a deposição de gordura abdominal. Parece também haver um efeito benéfico da TRH nas células pancreáticas, músculo esquelético, fígado e tecido adiposo associado à diminuição da gordura abdominal, glicemia de jejum e níveis de insulina, melhora da função das células beta e secreção de insulina, com melhor controle da glicose e sensibilidade à insulina, todos levando a uma redução da incidência de diabetes. Apesar desses potenciais benefícios, o efeito da TRH na prevenção do diabetes não foi um resultado primário em grandes estudos randomizados controlados e, portanto, não é recomendada nem aprovada para a prevenção de diabetes tipo 2.

– Orientação para uso de TRH para mulheres com diabetes

O aconselhamento de mulheres com diabetes em relação ao uso de TRH, para alívio dos sintomas da menopausa, é um desafio, devido à escassez de evidências que apóiem sua segurança. Uma revisão Cochrane de 2013 – após identificar apenas um pequeno ensaio que incluiu todas as mulheres com DM1 – concluiu que há uma falta de evidências sobre as quais fazer uma recomendação. As diretrizes da ADA não se posicionam em relação a TRH em mulheres com diabetes.

As mulheres com diabetes geralmente já apresentam risco aumentado de doenças cardiovasculares (DCV) no momento em que atingem a menopausa. Nas diretrizes para a prevenção de doenças cardíacas em mulheres, a American Heart Association (AHA) declarou que a presença de diabetes é um risco equivalente a DCV prévia, sugerindo que as mulheres com diabetes deveriam evitar TRH. Já a declaração da “The North American Menopause Society” em relação a terapia hormonal é a de que em mulheres com diagnóstico prévio de diabetes, o uso de TRH deve ser individualizado, levando em consideração a idade, fatores de risco metabólicos e cardiovasculares. Tudo isso nos leva a conclusão de que realmente a orientação formal para o uso de TRH em mulheres com diabetes é esparsa, deve ser individualizada e mais estudos são necessários nesta área.

Referências

C.A. Stuenkel (2017): Menopause, hormone therapy and diabetes, Climacteric, DOI: 10.1080/13697137.2016.1267723

Menopause: The Journal of The North American Menopause Society Vol. 24, No. 7, pp. 728-753 DOI: 10.1097/GME.0000000000000921

JoAnn V. Pinkerton, M.D. Hormone Therapy for Postmenopausal Women; n engl j med 382;5 nejm.org January 30, 2020

JOANN V. PINKERTON Management of Menopause and the Role for Hormone Therapy CLINICAL OBSTETRICS AND GYNECOLOGY Volume 62, Number 4, 677–686

Texto

Drª Caroline Bulcão – Endocrinologista; Doutora pela UNIFESP; Preceptora da residência médica CEDEBA/SESAB.

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