Qual é o momento adequado para o usuário buscar apoio psicológico em uma equipe de saúde?

Para o melhor manejo da saúde mental na atenção primária à saúde, propõe-se um trabalho compartilhado de suporte às equipes de saúde da família (SF), por meio do desenvolvimento do apoio matricial em saúde mental (SM), pelos profissionais dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf). O apoio matricial permite a ampliação da clínica das equipes de SF, superando a lógica de encaminhamentos indiscriminados e permitindo a corresponsabilização entre as equipes de SF e SM. Esse modelo permite a construção de vínculos entre profissionais e usuários, ampliando a resolutividade na assistência à saúde.¹

O momento de procurar apoio psicológico é quando se percebe na demanda do paciente um sofrimento psíquico, dificuldade de se relacionar, dificuldade em desempenhar funções, dificuldade de conviver socialmente ou outras situações em saúde mental na qual a equipe mínima não consiga lidar. Outro ponto a se considerar é orientar também aos familiares ter essa atenção e buscar esse apoio junto à UBS. A rede de saúde mental deve ser utilizada de acordo com a necessidade apresentada pelo paciente. Desde a equipe mínima, passando pelo NASF com a psicologia e outros profissionais que podem contribuir, até a chegada ao CAPS nos casos em que sejam recomendados. É importante saber como está funcionando a rede em seu território para saber conduzir o paciente para onde ele seja melhor beneficiado. Lembrando que independente de onde ele esteja sendo acompanhado, sempre será um paciente da Atenção Básica também. ² ³

Sendo assim, o planejamento e organização dessas ações, devem ser consideradas alguns aspectos gerais:

  1. Identificar, acolher e atender às demandas de saúde mental do território, em seus graus variados de severidade de forma individualizada. Preferencialmente, os pacientes devem ter acesso ao cuidado em saúde mental o mais próximo possível do seu local de moradia, de seus laços sociais e familiares. A prioridade deve ser aplicada para os casos mais graves, que necessitam cuidados mais imediatos (situações de maior vulnerabilidade e risco social).
  2. As intervenções devem levar em consideração o contexto familiar e comunitário (família e comunidade devem estar alinhadas no processo de cuidado).

A organização das ações voltadas à saúde mental deve ser individualizado, levando-se em consideração os aspectos sociais, clínicos e as situação de risco/vulnerabilidade de cada indivíduo.

Referências:

  1. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Diretrizes do NASF: Núcleo de Apoio à Saúde da Família / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2010. 152 p. : il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Caderno de Atenção Básica, n. 27)
  2. Oliveira, RC; Costa, AVM. Estratégias para Minimizar as Dificuldades do Psicólogo do NASF de Alegrete do Piauí no Encaminhamento de Pacientes com Problemas para uma Rede de Apoio Psicossocial. UNA SUS [Internet]. 2020 Feb 29 [cited 2021 Nov 24]; Disponível em: <https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/14813/1/ARTIGO_RAYANE_ARES.pdf>
  3. Oliveira et A Atuação do Psicólogo nos NASF: Desafios e Perspectivas na Atenção Básica: Trends in Psychology. Sociedade Brasileira de Psicologia [Internet]. 2017 [cited 2021 Nov 24];25:291-304. DOI https://doi.org/10.9788/TP2017.1-17. Disponível em: <https://www.redalyc.org/journal/5137/513754916017/html/.>
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