Qual a importância do uso de fluoreto na prevenção da cárie?

Ingrid Cedraz Santos:
Ingrid Cedraz Santos

Os Fluoretos, forma iônica do elemento químico flúor, age reduzindo a prevalência da cárie e diminuindo a velocidade de progressão de novas lesões. Quando utilizado da maneira correta é seguro e eficaz na prevenção e controle da cárie dentária¹,²

O flúor é considerado como um dos meios mais eficazes para o controle de cárie dentária, pois ele é capaz de interferir com a dinâmica do processo desta doença devido ao seu contato constante e direto na cavidade bucal com as estruturas dentais, reduzindo assim a desmineralização e ativando a remineralização das mesmas³.

Existem diversas formas de utilização do Fluoreto, tanto para prevenção quanto para promoção da saúde, que ocorre por meio de medidas de saúde pública coletivas e também individuais, tais como: água de abastecimento público, dentifrícios fluoretados, bochechos de NaF 0,05%, géis, materiais dentários liberadores de flúor, dentre outros¹.

A fluoretação das águas no Brasil se fundamenta na Lei 6050/1974, onde tornou obrigatória a adição de flúor à água de abastecimento público nas cidades que possuem estações de tratamento. Desde então, a fluoretação das águas de abastecimento público tornou-se o meio de uso coletivo do fluoreto na prevenção da cárie dentária³. O seu mecanismo de ação é garantido com a passagem do fluoreto pela cavidade oral, ocorrendo a absorção do mesmo e retorno através da secreção salivar². É importante salientar que não apenas o consumo direto da água fluoretada causa esse efeito, também os alimentos cozidos com essa água, trarão o mesmo benefício (4).

Importante entender que os dentifrícios fluoretados utilizam dois mecanismos para interferir nos processos de desmineralização e remineralização: a remoção de biofilme associada à exposição ao flúor, sendo indicada a sua concentração (adicionada aos dentifrícios) usualmente em torno de 1.100 a 1.500 ppm para garantir o seu efeito sobre a prevalência e gravidade da cárie¹.

Entretanto, simultaneamente à diminuição da prevalência da cárie, o uso do fluoreto pode estar associado ao aumento da prevalência da fluorose dentária, que é uma alteração permanente do esmalte devido à ingestão constante de flúor durante a formação das unidades dentárias³. A fluorose dentária se manifesta como mudanças visíveis de opacidade do esmalte devido a alterações no processo de mineralização dentária. O grau dessas alterações depende diretamente da dose de flúor à que a criança está sujeita e do tempo de duração da dose¹.

Segundo Cury (2010): “Maximizar os benefícios do fluoreto enquanto minimizando seus riscos é um desafio permanente daqueles comprometidos com saúde pública”. Dessa forma, é de extrema importância que haja um equilíbrio entre os riscos e benefícios da utilização de fluoretos, considerando a sua importância na prevenção da cárie e o seu uso deve ser feito de maneira consciente e segura.

 

COLUNISTA:

Ingrid Cedraz Santos – cirurgiã-dentista graduada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública(EBMSP); Especialista em Saúde da Família pela FESF-SUS/FIOCRUZ. E-mail: guidecscs@gmail.com. 

REFERÊNCIAS:

1 – BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de recomendações para o uso de fluoretos no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.

2 – MASSARA, M.L.A. et al. Manual de Referência para Procedimentos Clínicos em Odontopediatria. 2ª edição. Livraria Santos Editora, 2013.

3 – CALDARELLI, P.G. Contribuição da água e dentifrício fluoretado na prevalência de cárie e fluorose dentária: uma abordagem baseada em evidências. J Health Sci Inst. 2016;34(2):117-22.

4- CURY, J. A.; TENUTA, L. M. A. Evidências para o uso de fluoretos em Odontologia. Odontologia Baseada em Evidências, São Paulo, v. 2, n. 4,p. 1-18, jan. 2010. Disponível em: https://www.colgateprofissional.com.br/content/dam/cp-sites/oral-care/professional/pt -br/general/pdf/OBE4_Fluoretos.pdf

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