Na Atenção Primária, qual a melhor abordagem para gestante com sintomas gripais?

O primeiro passo em qualquer paciente que apareça na atenção primária e, se enquadre com síndrome gripal (SG), deve ser exame físico e anamnese, direcionadas com enfoque nos sinais vitais. Vale lembrar que a SG é definida como “Indivíduo que apresente febre de início súbito, mesmo que referida, acompanhada de tosse ou dor de garganta e pelo menos um dos seguintes sintomas: cefaleia, mialgia ou artralgia, na ausência de outro diagnóstico específico” (MS, 2018). Na maioria dos indivíduos a doença será autolimitada e o tratamento será de suporte com hidratação, sintomáticos e orientações. No caso de gestante, o analgésico e antipirético de escolha é acetaminofeno (paracetamol).

Sabe-se, contudo, que a gestação e as duas primeiras semanas do puerpério configuram-se fatores de risco para uma complicação temida denominada da gripe causada pelo vírus influenza denominada Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Esta está relacionada a importante morbidade e mortalidade e caracteriza-se por: saturação de SpO2 <95% em ar ambiente; sinais de desconforto respiratório ou aumento da frequência respiratória avaliada de acordo com a idade; piora nas condições clínicas de doença de base; hipotensão em relação à pressão arterial habitual do paciente ou indivíduo de qualquer idade com quadro de insuficiência respiratória aguda, durante período sazonal (MS 2018). Nesses casos deve haver acionamento imediato de um serviço de emergência para o suporte necessário.

Por isso, para todas as gestantes com síndromes gripais, indica-se a profilaxia com antivirais, independentemente da idade gestacional, estado vacinal e gravidade do quadro. O antiviral disponível atualmente é o Oseltamivir, conhecido popularmente como Tamiflu, e deve ser feito em até 48 horas, após exposição e inícios dos sintomas. A posologia de quimiprofilaxia para adultos é de 75 mg de 12 em 12 horas por 5 dias.

Vale lembrar também que a vacina para Influenza está sempre indicada no calendário pré-natal de imunizações. Antibióticos são reservados apenas para as complicações de origem bacteriana como Pneumonia, sinusite e otite. Essas costumam aparecer em casos que persistem geralmente por mais de 10 dias, mostrando assim a importância de reavaliação do quadro com brevidade e no seguimento pré-natal de rotina.

Referência

  • Protocolo de Tratamento de Influenza 2017. Ministério da Saúde. 2018
  • JAMIESON J. D. .Seasonal influenza and pregnancy. 2021 Acessado 24 de Janeiro de 2022 < https://www.uptodate.com/contents/seasonal-influenza-and-pregnancy?search=gripe%20gestante&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1 >
  • Larson L. E. .Treatment of respiratory infections in pregnant patients. 2021 Acessado 24 de Janeiro de 2022 < https://www.uptodate.com/contents/treatment-of-respiratory-infections-in-pregnant-patients?search=gripe%20gestante&source=search_result&selectedTitle=2~150&usage_type=default&display_rank=2 >
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