CORONAVÍRUS: Orientações às Equipes de Saúde Bucal da APS

Segundo o Ministério da Saúde (MS, 2020) os Coronavírus (CoV) são uma ampla família de vírus que podem causar desde resfriados comuns a Síndrome Respiratória Agudas Graves (SARS). O novo vírus, temporariamente nomeado “novo Coronavírus (SARS COV – 2)” – é de uma cepa que até então, não havia sido encontrada em seres humanos. Em humanos pode ser transmitido principalmente pelas gotículas respiratórias (tosse e espirros), por contato (mãos e objetos contaminados) ou ainda pelo ar, afetando principalmente pessoas com baixa imunidade.

Entendemos nesse momento de pandemia, decretada pela Organização Mundial da Saúde, em 11/03/2020, a importância em dialogar com as equipes de saúde bucal, pois trata-se de uma categoria profissional que muito pode contribuir para o acolhimento, diagnóstico e notificação dos casos suspeitos, bem como na orientação da população a respeito das medidas de prevenção.

Ressaltamos que os profissionais de saúde deverão redobrar a atenção para a detecção de possíveis casos suspeitos durante, ou antes, do acolhimento e atendimento aos pacientes. Segue a classificação dos casos, segundo o Procedimento Operacional Padrão n°003/2020 da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia:

No caso de paciente estar ASSINTOMÁTICO para o COVID-19 e SEM URGÊNCIA ODONTOLÓGICA: o cirurgião-dentista deve adiar o tratamento para um momento oportuno;

Paciente ASSINTOMÁTICO para o COVID-19 e COM URGÊNCIA ODONTOLÓGICA: realizar o atendimento necessário respeitando o protocolo de utilização padrão de EPI;

Paciente SINTOMÁTICO ou com infecção por COVID-19 confirmada e SEM URGÊNCIA ODONTOLÓGICA: adiar o tratamento odontológico para um momento oportuno e encaminhar para cuidados médicos adicionais;

Paciente SINTOMÁTICO ou com infecção por COVID-19 e COM URGÊNCIA ODONTOLÓGICA: o cirurgião dentista deve discutir com o médico de referência a melhor conduta e, deve realizar o atendimento quando necessário respeitando o protocolo de utilização padrão de EPI para esses casos ou encaminhar para a unidade de referência, no município, para atendimento odontológico desses pacientes.

O Estado da Bahia já se encontra em fase de transmissão comunitária da COVID- 19, assim os serviços de APS/ESF devem trabalhar com abordagem sindrômica do problema, não exigindo mais a identificação do fator etiológico por meio de exame específico.

O PACIENTE COM A DOENÇA COVID-19 APRESENTA OS SEGUINTES SINTOMAS E SINAIS:

Febre (>37,8ºC);
Sintomas respiratórios: tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade de deglutir, dor de garganta, coriza, saturação de O2 <95%, sinais de cianose, batimento das asas nasais, tiragem intercostal, dispneia, etc.
Sintomas inespecíficos: fadiga, mialgia/artralgia, dor de cabeça, calafrios, gânglios linfáticos aumentados, diarreia, náusea, vômito, desidratação e inapetência.
O quadro clínico, típico de uma Síndrome Gripal, pode variar seus sintomas desde uma apresentação leve e assintomática (não se sabe a frequência), principalmente em jovens adultos e crianças, até uma apresentação grave, incluindo choque séptico e falência respiratória.
Considerar os demais diagnósticos diferenciais pertinentes e o adequado manejo clínico. Em caso de suspeita para influenza, não retardar o início do tratamento com fosfato de Oseltamivir, conforme protocolo de tratamento.

ORIENTAÇÕES PARA O ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO:

Considerando que a transmissão do COVID – 19 pode acontecer:

Pelo ar no ambiente dos consultórios odontológicos;
A partir da inalação de microrganismos, em suspensão por longos períodos;
Por contato direto com sangue ou outros fluidos orais; contato das mucosas conjuntivais, nasal ou oral com gotículas ou aerossóis contendo microrganismos gerados por indivíduos infectados e propalados por tosse ou por uma conversa sem máscara ou;
Contato indireto com instrumentos contaminados ou superfícies do ambiente.
Considerando o alto risco ocupacional, de inalação de partículas e aerossóis produzidos no atendimento, em decorrência da proximidade entre as faces do profissional e do paciente, inerentes à realização dos procedimentos odontológicos;

Considerando que pesar de terem sidos suspensos os atendimentos odontológicos em muitas regiões, o atendimento de urgência (situações que determinam prioridade para o atendimento, mas não potencializam o risco de morte ao paciente) e emergência (situações que potencializam o risco de morte ao paciente) continuam existindo e necessitam de atendimento.

Recomenda-se o cuidado redobrado com a contaminação em tempos de pandemia. A seguir está o protocolo construído com base nos documentos disponibilizados pelo:MS,CFO , Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas e Procedimento Operacional Padrão n°003/2020 da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia sobre a prevenção do COVID-19:

Evitar os cumprimentos como beijos ou apertos de mãos na consulta;
Retirar todos os adereços, como anéis, pulseiras, cordões, brincos e relógios para atender pacientes;
Lavar cuidadosamente as mãos antes e depois das consultas;
Reforçar o uso de EPI, incluindo o jaleco, máscara, gorro, luvas e óculos de proteção. E lembrando-se de lavar o seu jaleco separado das roupas do dia a dia, para não as contaminar;
Fornecer bochechos com Peróxido de Hidrogênio a 1% antes de cada atendimento (Covid-19 é vulnerável à oxidação), ou Iodopovidona a 0,2% são recomendados para reduzir a carga salivar. A clorexedina parece não ser eficaz contra o novo Coronavírus;
Dar preferência a instrumentos manuais para remoção de cáries e uso de extratores de cálculo, em substituição às canetas de alta rotação e aparelhos ultrassônicos, para que se minimize a geração de aerossóis;
Em procedimentos que forem gerar aerossóis, a máscara de escolha, que oferece melhor proteção deverá ser a N95 ou PFF2;
Em casos de utilização das máscaras cirúrgicas, estas deverão ser trocadas a cada paciente. Quando visivelmente molhadas, mesmo que com um único paciente, recomenda-se a troca das máscaras;
As máscaras devem ser retiradas por suas tiras ou elásticos, não devem ser tocadas durante procedimento e não devem ser colocadas no pescoço e bolsos, pois são itens contaminados;
Os protetores de face ou viseiras poderão ser usados para conferir proteção mais ampla e a máscara sempre deverá ser utilizada. Realizar desinfecção dos protetores de face após cada paciente;
Os exames radiológicos extra orais devem ser priorizados em detrimento dos periapicais, que tem maior possibilidade de provocar tosse e, consequentemente, dispersão de gotículas pelo ar;
Seguir rigorosamente todos os protocolos de desinfecção e esterilização, pois há relatos de sobrevivência do novo coronavírus por 2 a 9 dias em superfícies;
Ter precaução redobrada no manuseio de moldes e modelos assegurando sua desinfecção de forma correta;
É fundamental, também, orientar todos os usuários, incluindo os pacientes suspeitos, para seguirem as normas abaixo descritas:

Lavar as mãos frequentemente, com água e sabão por pelo menos 20 segundos. Usar um desinfetante para as mãos à base de álcool que contenha pelo menos 70% de álcool, se sabão e água não estiverem disponíveis;

Fonte: http://www.crosp.org.br/noticia/ver/4006-1603-crosp-orienta-profissionais-a-seguirem-orientaes-do-ministrio-da-sade.html

Cobrir a boca e o nariz com lenço descartável, quando não disponível usar as mangas superiores da roupa ou o cotovelo flexionado ao tossir ou espirrar;
Evitar cuspir em público;
Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas;
Evitar contato próximo e desprotegido com qualquer pessoa apresentando sinais ou sintomas de gripe ou resfriado;
Manter os ambientes bem ventilados.
Atenção! Pessoas assintomáticas não necessitam usar máscaras para circulação em ambiente de trabalho ou espaços públicos. O uso indiscriminado e sem critério de máscaras cirúrgicas afeta o abastecimento desse material que, faltando nos serviços de saúde, poderá aumentar a transmissão do vírus.

Esta coluna tem como objetivo orientar os profissionais de saúde bucal que atuam na APS para que adotem medidas de prevenção da transmissão do COVID-19, bem como estimular a equipe para a necessidade de atualizações constantes sobre a temática ora apresentada. Desta forma, o profissional deve manter-se atualizado visitando periodicamente o site do Ministério da Saúde.

Ressaltamos que o CFO reforça a autonomia dos cirurgiões-dentistas para atuar de acordo com a especificidade de cada caso e recomenda atenção às orientações das instituições sanitárias sobre covid-19. Esperamos ter contribuído com as informações necessárias e, em caso de mais dúvidas, solicite uma teleconsultoria.

REFERÊNCIAS

BAHIA. Secretaria de Saúde do Estado da Bahia: Orientações para Organização da Atenção Básica (AB), no enfrentamento do Novo Coronavírus – Nota Técnica/nº 01 de 13/03/2020. SAIS/DAB/SUPERH/ESPBA/DIVEP/SESAB. Disponível em:< http://telessaude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/NT-DAB-BA-Coronav%C3%ADrus.pdf.> Acesso em 18/03/2020.

BAHIA. Secretaria de Saúde do Estado da Bahia.Procedimento Operacional Padrão n°003/2020 – DAB/DGC/SAIS/ESPBA/SUPERH/DIVEP/SUVISA. Atendimento odontológico a população durante a pandemia do Coronavírus SARSCoV-2 na Atenção Básica. Mar.2020. Disponível em: http://telessaude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/POP_Fluxo_de_atendimento-odontologico_de_casos_suspeitos_de_COVID-19_22-03-2020_Bahia.pdf. Acesso em: 27/03/2020.

BRASIL. Conselho Regional de Odontologia de São Paulo. Disponível em:http://www.crosp.org.br/noticia/ver/4006-1603-crosp-orienta-profissionais-a-seguirem-orientaes-do-ministrio-da-sade.html. Acesso em: 18/03/2020.

BRASIL. Conselho Federal de Odontologia. Disponível em:http://website.cfo.org.br/cfo-apresenta-orientacoes-para-avaliar-urgencia-e-emergencia-odontologica-frente-ao-coronavirus/ Acesso em: 27/03/2020.

BRASIL. Núcleo de Telessaúde do Rio Grande do Sul. Coronavírus (COVID-19): Informações para profissionais da APS 2020. Disponível em: https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/telecondutas/material_profissionais_corona_virus_20200303.pdf. Acesso em: 18/03/2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de Manejo Clínico do Corona Vírus (Covid-19) na atenção primária á saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS). Versão6. mar.2020. Disponível em:http://telessaude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/COVID-VERSÃO-6.pdf <Acesso em 27/03/.2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Coronavírus – Covid 19. Mar.2020. Disponível em site: https://coronavirus.saude.gov.br . Acesso em 26/03/2020.

Colunistas:

*Anny Hayvanon – Monitora de Campo Telessaúde (Região-Sudoeste), cirurgiã-dentista, mestre em Saúde Coletiva ( UEFS-BA), especialista em Cirurgia Oral-Menor (ABO-BA) e em Saúde da Família (UFPEL-RS). E-mail para contato: annyeverson@yahoo.com

**Vanessa Santos Estrela – Monitora de Campo Telessaúde (Região Centro Norte), cirurgiã-dentista, mestranda em Saúde Coletiva ( ISC-UFBA), especialista em Saúde da Família (UFPEL-RS) e Odontologia do Trabalho (Faculdade CIODONTO). E-mail para contato: vanessa-estrela@hotmail.com

***Adeilda Ananias de Lima – Teleconsultora de Odontologia, cirurgiã-dentista, sanitarista, especialista em Saúde Integral à Família com ênfase na Estratégia de Saúde da Família, em Micropolítica da Gestão e Trabalho em Saúde e Auditoria em Saúde. E-mail para contato:adeilda.ananias@saude.ba.gov.br

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